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Prestes lidera levante em Santo Ângelo e abre caminho à Coluna

Em 29 de outubro de 1924, o capitão Luís Carlos Prestes se rebelou em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, e deu início à Coluna Prestes.

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Homem de terno, sentado a uma mesa de escritório com papéis e objetos de mesa, em fotografia em tons sépia
Luís Carlos Prestes em 1945, quando era senador.Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / EBC / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

Em 29 de outubro de 1924, o capitão Luís Carlos Prestes liderou um levante militar na região das Missões, no Rio Grande do Sul. Ele comandava o 1º Batalhão Ferroviário, sediado em Santo Ângelo. A revolta deu origem à Coluna Prestes, uma marcha militar que durou até 1927.

A data exata varia entre as fontes. A Wikipédia registra 28 de outubro. O manifesto assinado por Prestes traz 29 de outubro, a mesma data que o verbete do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), adota.

Uma revolta que apoiava os tenentes

Os tenentes eram oficiais jovens do Exército que criticavam a República Velha, período em que as oligarquias regionais dominavam o poder, entre 1889 e 1930. Em 1924, uma revolta de tenentes eclodiu em São Paulo. A insurreição gaúcha queria abrir uma nova frente contra o governo e unir-se aos paulistas, segundo o Dicionário político do marxists.org.

A marcha pelo interior

Segundo o CPDOC, a coluna deixou São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, em 27 de dezembro de 1924. Em abril de 1925, ela se juntou à Divisão São Paulo, comandada por Miguel Costa, no Paraná.

O CPDOC registra que a marcha percorreu 13 estados e cerca de 25 mil quilômetros. A coluna entrou na Bolívia em 3 de fevereiro de 1927, e essa travessia encerrou a marcha pelo território brasileiro.

O que a revolta defendia já aparecia no manifesto de 29 de outubro de 1924. O texto pedia voto secreto e respeito à vontade do eleitor nas urnas.

Em fevereiro de 1926, Prestes e Miguel Costa redigiram o manifesto “Motivos e ideais da revolução”, segundo o CPDOC. O documento pedia voto secreto e obrigatório e ensino primário gratuito em todo o país. Essas bandeiras mostram que o movimento falava de eleições e de escola, não só de quartéis.

O que diz Luís Carlos Prestes: No manifesto de 29 de outubro de 1924, assinado por ele como capitão, a revolta pede voto secreto e respeito à vontade popular nas urnas. O texto está publicado no site Marxists Internet Archive.

Depois da marcha

A Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas à Presidência em 1930, buscou Prestes. Segundo o CPDOC, ele não se filiou ao movimento. Para ele, a simples troca de dirigentes não resolveria os problemas do país.

Em 1934, Prestes foi admitido no Partido Comunista Brasileiro (PCB), segundo o CPDOC. Em 1935, foi nomeado presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora (ANL), fundada em 12 de março daquele ano. O levante de novembro de 1935, iniciado em Natal, foi rapidamente sufocado.

Preso em 5 de março de 1936, no Rio de Janeiro, Prestes foi condenado em 7 de maio de 1937 a 16 anos e oito meses de prisão, segundo o CPDOC. Essa fase é tema de debate entre historiadores. Este perfil se limita ao que os documentos registram.

O que fica

A revolta de 1924 começou como um levante de oficiais contra a República Velha. Três anos depois, a marcha terminou na Bolívia. O programa que a acompanhou falava de voto secreto e de escola pública, temas que seguiram na agenda do país.

Nas fontes consultadas, a diferença entre 28 e 29 de outubro é o ponto mais claro em aberto. A trajetória de Prestes depois de 1930 é mais disputada e merece leitura das fontes originais.

Como fizemos: Usamos o verbete de Luís Carlos Prestes do CPDOC/FGV, o manifesto de 29 de outubro de 1924 e o verbete “Coluna Prestes” do Dicionário político, ambos no Marxists Internet Archive, além da Wikipédia em português, acessados em 24 de outubro de 2026. Adotamos a data de 29 de outubro, do manifesto e do CPDOC. Não há cálculo próprio: distâncias, estados e datas são os informados nas fontes. Não consultamos os documentos originais do manifesto de 1926.

Fontes