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Revolta de 1924 que originou a Coluna Prestes faz 102 anos

A revolta de Santo Ângelo, no fim de outubro de 1924, abriu a marcha de cerca de 25 mil km que terminou no exílio na Bolívia, em 1927.

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Fotografia de 1927 com 18 chefes revolucionários da Coluna Miguel Costa-Prestes, entre eles Luís Carlos Prestes e Miguel Costa
A última fotografia dos chefes revolucionários, publicada na revista Careta em 19 de março de 1927.Foto: Revista Careta / Wikimedia Commons (domínio público)

No fim de outubro de 1924, o capitão Luís Carlos Prestes liderou uma revolta militar em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. A Wikipédia em português dá 28 de outubro como data. O CPDOC, da Fundação Getulio Vargas (FGV), dá 29. Esse levante está na origem da Coluna Prestes, e a revolta completa 102 anos no fim deste mês.

Nenhuma das fontes consultadas registra uma saída da coluna em outubro de 1925. A data de início depende da fonte: 1924 para a revolta, 1925 para a formação da coluna.

Prestes comandava o 1º Batalhão Ferroviário em Santo Ângelo, segundo a Wikipédia. Ele integrava o tenentismo, movimento de jovens oficiais, os tenentes, que criticavam o sistema político da Primeira República. Em julho de 1924, a revolta paulista foi derrotada, e os rebeldes deixaram São Paulo, segundo o Dicionário político, hospedado no site Marxists.org.

Datas que divergem

Em 27 de dezembro de 1924, o núcleo da coluna deixou a região de São Luiz, no Rio Grande do Sul, segundo o CPDOC. Em 12 de abril de 1925, os rebeldes gaúchos se uniram à Divisão São Paulo, no Paraná. O CPDOC cita o cruzamento de duas estradas, e a Wikipédia situa o encontro em Foz do Iguaçu.

Em outubro de 1925 houve outra revolta gaúcha, em apoio à coluna. Ela ocorreu entre 29 de setembro e 8 de outubro, foi derrotada e não marca o início da marcha, segundo a Wikipédia em inglês.

Uma marcha de 25 mil quilômetros

A coluna percorreu cerca de 25 mil quilômetros em 13 estados, segundo o CPDOC e a Wikipédia. A Agência Brasil fala em 1.500 homens e mulheres, a maioria soldados de baixa patente.

A duração depende do ponto de partida. Contada de outubro de 1924 até a entrada na Bolívia, em 3 de fevereiro de 1927, a marcha dura cerca de dois anos e três meses. Contada de abril de 1925, dura cerca de um ano e dez meses. Isso ajuda a explicar por que a Agência Brasil fala em “dois anos e meio” e o Dicionário político, em “quase dois anos”.

Em fevereiro de 1926, o manifesto Motivos e ideais da revolução, escrito com Miguel Costa, o outro comandante, criticava impostos exorbitantes, fraude eleitoral e censura à imprensa. Pedia a volta da Constituição de 1891, ensino primário gratuito, justiça unificada e “voto secreto e obrigatório”, segundo o CPDOC.

O que a marcha não foi

A coluna não tomou o poder. Mesmo assim, a Agência Brasil diz que ela “jamais chegou a ser oficialmente derrotada”. A socióloga Ana Prestes resume a força do movimento: “A grande força da coluna foi sua associação com as bandeiras populares que ela defendia.”

A marcha terminou no exílio. Em 3 de fevereiro de 1927, a coluna entrou na Bolívia, segundo o CPDOC. Prestes seguiu para Gaiba com cerca de 200 homens, conforme o Dicionário político.

Prestes depois da marcha

Em abril de 1930, segundo o CPDOC, Prestes rejeitou, em manifesto, a revolução da Aliança Liberal, coalizão que tinha Getúlio Vargas como candidato. Em agosto de 1934, ele entrou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Liderou o partido como secretário-geral de 1945 a 1980.

Em 2 de dezembro de 1945, Prestes foi eleito senador pelo Distrito Federal, com 157.397 votos, segundo o CPDOC. O registro do PCB foi cassado em 7 de maio de 1947. Em janeiro de 1948, Prestes perdeu o mandato, conforme o Congresso em Foco.

O apelido “Cavaleiro da Esperança” deu título à biografia que Jorge Amado publicou em 1942, em espanhol. As fontes consultadas não dizem quem criou o apelido nem quando.

O que diz o Senado Federal: em 16 de abril de 2013, o Senado aprovou resolução que revogou a cassação do mandato de Prestes e do suplente Abel Chermont. Segundo o relator, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a medida “presta reconhecimento a uma das personalidade mais marcantes do nosso país”.

O que isso significa

A marcha durou cerca de dois anos e não conseguiu impor seus pedidos. Ela ficou ligada à trajetória de Prestes, que morreu em 1990, depois de ser senador e líder comunista. O que segue em aberto é a data de início, que as fontes não fixam da mesma forma.

Como fizemos: Usamos o verbete do CPDOC (FGV), o Dicionário político, a Wikipédia em português e em inglês, e reportagens da Agência Brasil e do Congresso em Foco, acessados em 23 de outubro de 2026. As durações são nossa conta, a partir de 28 ou 29 de outubro de 1924 e de 12 de abril de 1925, até 3 de fevereiro de 1927. Não há contagem oficial de combatentes nas fontes consultadas; o número de 1.500 vem da Agência Brasil.

Fontes

Temas

  • Coluna Prestes
  • Luís Carlos Prestes
  • Tenentismo
  • Revoltas Tenentistas

Miriam Nascimento

Repórter de Personagens

Cobre personagens para o Revista 7 de Setembro.

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