Aranha presidiu a Assembleia da ONU em 1947; o Brasil abre o debate
Em 24 de outubro, Dia das Nações Unidas, o Brasil lembra seu papel fundador na ONU e a tradição de abrir o debate geral ligada a Oswaldo Aranha.
- Publicado em
- Leitura
- 2 min de leitura

Em 24 de outubro de 1945, entrou em vigor a Carta das Nações Unidas, o tratado que criou a Organização das Nações Unidas (ONU). Por isso, a data é lembrada como o Dia das Nações Unidas. Segundo o portal UNRIC, centro de informação da ONU, a Carta foi assinada em 26 de junho de 1945, em São Francisco, nos Estados Unidos, por representantes de 50 países.
O Brasil estava entre os fundadores. Segundo o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores, o país é membro fundador da organização. Nos primeiros anos, nenhum brasileiro teve papel tão visível quanto Oswaldo Aranha.
Um brasileiro na presidência da Assembleia
Aranha nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1894. Foi ministro das Relações Exteriores de 1938 a 1944, no governo de Getúlio Vargas, segundo reportagem da FolhaPress publicada pelo Jornal de Brasília. Em 1947, chegou à presidência da Assembleia Geral, o principal órgão de debate da ONU, onde todos os países-membros têm voz. A biografia oficial dele no site da ONU diz que foi eleito presidente da segunda sessão da Assembleia.
Nessa sessão, em 29 de novembro de 1947, a Assembleia aprovou a Resolução 181 (II), uma decisão formal que propôs dividir a Palestina em dois Estados. A votação teve 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, segundo a Wikipédia em inglês. Segundo a Agência Brasil, a delegação brasileira, sob comando de Aranha, votou a favor da partilha, apesar de orientação do Itamaraty para se abster.
Por que o Brasil fala primeiro
Desde o fim dos anos 1940, o Brasil costuma abrir o debate geral, a semana de discursos que inaugura cada sessão anual da Assembleia. A Wikipédia em inglês registra que, desde 21 de setembro de 1949, o país é o primeiro a falar. Já a Poder360 diz que a prática se consolidou em 1955. As fontes não concordam sobre a data exata.
A explicação mais difundida liga a abertura a Aranha, como homenagem. Outra hipótese diz que o Brasil se ofereceu para falar primeiro. A Poder360 afirma que não há consenso nem registro formal sobre o motivo.
O que isso significa
Não há registro formal que explique a origem da prática. O que os documentos mostram é uma presença constante: o Brasil participou da criação da ONU e teve um presidente da Assembleia logo nos primeiros anos. Para o país, estar nesses fóruns é uma forma de defender interesses próprios sem depender de uma única potência.
O que diz o Itamaraty: “O compromisso do Brasil é inequívoco em relação aos valores fundadores da instituição, como a defesa da paz.” A frase foi citada pelo portal O Povo em 30 de outubro de 2025.
Fontes
- A Carta das Nações Unidas: 80 anos de compromisso com a paz — UNRIC
- Biografia de Oswaldo Aranha — Organização das Nações Unidas
- United Nations Partition Plan for Palestine — Wikipédia em inglês
- Brazil and the United Nations — Wikipédia em inglês
- Entenda por que o Brasil abre a cerimônia da ONU desde 1955 — Poder360
- Saiba quem foi Oswaldo Aranha — Agência Brasil
- Tradição do Brasil de abrir Assembleia Geral começou com Aranha — Jornal de Brasília
- 80 anos da ONU: o ideal de paz diante de novos abismos — O Povo
- Ambassador Oswaldo Aranha of Brazil — Wikimedia Commons (CC BY 4.0)



