Alice Canabrava, pioneira da história econômica, faria 115 anos
Nascida em 22 de outubro de 1911, ela foi a primeira professora catedrática da USP e deixou acervo com 316 documentos e cerca de 2 mil livros.
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Alice Piffer Canabrava nasceu em Araras, em 22 de outubro de 1911. Nesta quinta-feira (22), a historiadora completaria 115 anos. A Universidade de São Paulo (USP) preserva seu fundo no Instituto de Estudos Brasileiros, com 316 documentos e aproximadamente 2 mil volumes na biblioteca, segundo o guia do acervo.
A efeméride vale por dois motivos. Alice foi pioneira da história econômica no Brasil e, em 1951, tornou-se a primeira professora catedrática da USP. O aniversário permite olhar para a formação de uma área e para a barreira de gênero que ela enfrentou.
Pesquisa com comércio, açúcar e algodão
Em 1942, Alice defendeu a tese “O comércio português no Rio da Prata, 1580–1640”. O trabalho examinou circulação e relações econômicas em perspectiva histórica. Em 1946, apresentou estudo sobre a indústria do açúcar nas Antilhas e obteve a livre-docência.
Em 1951, no concurso para História Econômica Geral e Formação Econômica do Brasil, pesquisou o desenvolvimento da cultura do algodão na província de São Paulo entre 1861 e 1875. A tese consolidou a ponte entre economia, geografia e história que marcou sua carreira.
O site da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP registra que Alice foi diretora da faculdade entre 1954 e 1957. Também fundou a Associação Nacional dos Professores Universitários de História e participou da criação da Revista Brasileira de História.
O acervo mostra três dimensões da trajetória
| Dimensão | Registro no acervo da USP |
|---|---|
| Pesquisa | Correspondência, fichas e manuscritos |
| Biblioteca | Cerca de 2 mil livros e revistas |
| Instituições | Fundação da ANPUH e da Revista Brasileira de História |
Fonte: Instituto de Estudos Brasileiros e FEA-USP. Elaboração: redação.
A barreira que o currículo não esconde
Alice concorreu à cátedra de História da América em 1946, mas não foi escolhida, embora tenha obtido a maior média nas provas, segundo o perfil da FEA-USP. Ela considerou o resultado discriminatório e transferiu-se para a recém-criada Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas.
O episódio não é detalhe biográfico. Ele mostra como instituições acadêmicas selecionavam mulheres em uma época em que a presença feminina ainda era exceção. A conquista da cátedra, cinco anos depois, veio acompanhada de direção, pesquisa e formação de novas gerações.
O que diz a USP: A FEA descreve Alice como a primeira professora catedrática da universidade e destaca mais de 50 anos de dedicação ao ensino público. O IEB informa a quantidade e o estado de organização de seu fundo documental.
Celebrar 115 anos é também ensinar método. Alice trabalhou com fontes, séries e recortes precisos. Seu legado lembra que história econômica não é uma lista de preços: é investigação sobre trabalho, território, comércio e poder.
Como fizemos: Usamos os perfis da FEA-USP e do Instituto de Estudos Brasileiros, além de artigo acadêmico da USP, acessados em 21 de outubro de 2026. A tabela reproduz a descrição do fundo; não contabiliza itens fora do acervo informado. As interpretações sobre discriminação foram atribuídas à narrativa institucional consultada.
Fontes
- Perfil de Alice Piffer Canabrava — FEA-USP (acesso em 21/10/2026)
- Guia do acervo Alice Canabrava — IEB-USP (acesso em 21/10/2026)
- Um conhecimento de formação: Alice Canabrava geógrafa — USP (acesso em 21/10/2026)



