Trinta e dois mil votos decidiram o governo do Rio Grande do Norte
Cadu de Lula venceu no Rio Grande do Norte por 32.625 votos, e a história do voto no estado mostra por que cada eleitor importa.
Tribuna · ensaio assinadoArgumento e conclusões pertencem a quem assina este texto, não necessariamente à Revista 7 de Setembro.
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Em 25 de outubro de 2026, 1.073.024 eleitores do Rio Grande do Norte (RN) votaram em Cadu de Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), para governador. Seu adversário, Allyson Bezerra (União Brasil), recebeu 1.040.399 votos. A diferença foi de 32.625 votos.
Cadu teve 50,77% dos votos válidos, a menor fatia entre os seis governadores eleitos no segundo turno, segundo a Agência Câmara. Votos válidos são os que sobram depois de descontados os brancos e os nulos. A vantagem equivale a 1,54 ponto percentual, a distância entre os dois percentuais.
No primeiro turno, Allyson tinha saído na frente por 15.509 votos, segundo a Gazeta do Povo. A virada veio do interior. Cadu perdeu em Natal por 25.621 votos, mas foi o mais votado em 118 dos 167 municípios potiguares, segundo a Agora RN.
Cada voto pesa quando a disputa é apertada
Os dois candidatos somaram pouco mais de 2,1 milhões de votos válidos. A diferença de 32.625 é cerca de 1,5% desse total. No Espírito Santo, a disputa foi mais larga: Lorenzo Pazolini teve 52,17%, segundo a Agência Câmara.
Quem acha que um voto individual não muda nada deveria olhar para essa conta. Uma disputa de 1,5% depende de milhares de decisões pequenas. Cada eleitor que compareceu e cada seção apurada entrou no resultado final.
A abstenção também faz parte da conta. No segundo turno, 19,21% do eleitorado não compareceu às urnas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 33.469.244 pessoas, com 99,89% das urnas apuradas. O índice ficou abaixo dos 21,08% do primeiro turno e abaixo do de 2022, segundo a Gazeta do Povo.
Votar é herança concreta, e recente
A República deixou regras escritas para o voto, e algumas são mais recentes do que parecem. No Rio Grande do Norte, a Lei nº 660, de 25 de outubro de 1927, foi aprovada pelo presidente do estado, Juvenal Lamartine. Ela determinou que não havia distinção de sexo para votar, segundo O Povo. São 99 anos exatos, nesta mesma data do calendário.
A lei teve efeito prático. Celina Guimarães Viana, de Mossoró, foi ao cartório pedir o alistamento, o cadastro de eleitores, em novembro de 1927. Ela votou em 5 de abril de 1928. O Povo a descreve como a primeira mulher alistada como eleitora no Brasil e na América do Sul.
Hoje a regra está na Constituição. Seu artigo 14 diz que a soberania popular será exercida “pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos”. O alistamento e o voto são obrigatórios para maiores de 18 anos. Para analfabetos, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos, o voto é facultativo, segundo o artigo 14 da Constituição de 1988.
O argumento contrário tem peso. Defensores do voto facultativo dizem que obrigar a votar pode levar a escolhas sem interesse. Também dizem que a abstenção é uma forma legítima de protesto. São argumentos reais, e uma democracia pode discuti-los.
Mas a obrigação muda o custo de ficar em casa. No Brasil, quem não vota precisa justificar a ausência ou pagar multa, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Quem falta, portanto, paga um custo, mesmo pequeno, e deixa a decisão para os outros.
O que diz o TSE: Segundo a Agência Câmara, o tribunal confirmou no domingo (25) os candidatos eleitos no segundo turno para governador em cinco estados e no Distrito Federal. Sobre a abstenção, o tribunal divulgou o índice de 19,21% com 99,89% das urnas apuradas, segundo a Gazeta do Povo.
A margem do Rio Grande do Norte é estreita, mas o resultado está fechado. A lição que os números sustentam é simples: 32.625 votos existem porque milhares de pessoas decidiram votar. O voto deixa rastro público, e as seções foram totalizadas no mesmo domingo, segundo a Gazeta do Povo. Esse é o patrimônio mais concreto da República, e vale protegê-lo em cada eleição.
Como fizemos: Usamos os votos e percentuais do segundo turno publicados pela Gazeta do Povo, pela Agora RN e pela Agência Câmara, acessados em 27 de outubro de 2026. A diferença, a soma dos votos válidos e a proporção de 1,5% são cálculos nossos. A abstenção é a divulgada pelo TSE com 99,89% das urnas apuradas, e o número final pode mudar. Os dados não dizem por que cada eleitor deixou de votar.
Fontes
- Resultado eleições 2026 RN: Cadu de Lula é eleito governador — Gazeta do Povo (acesso em 27/10/2026)
- Natal dá vitória a Lula e a Allyson, mas Cadu vence no RN com votos do interior — Agora RN (acesso em 27/10/2026)
- Confira os eleitos no segundo turno para governador em cinco estados e no Distrito Federal — Agência Câmara (acesso em 27/10/2026)
- Abstenção no segundo turno cai para 19,2% do eleitorado — Gazeta do Povo (acesso em 27/10/2026)
- História do voto: mulheres do RN tiveram feitos inéditos — O Povo (acesso em 27/10/2026)
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — Planalto (acesso em 27/10/2026)
- Eleições 2026: saiba quem é obrigado a votar e quem tem o voto facultativo — TRE-SP (acesso em 27/10/2026)
- Eleições 2014 - Voto em trânsito no IESB, Asa Sul, Brasília (foto) — Wikimedia Commons (acesso em 27/10/2026)



