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Contestar no TSE é direito; chamar de golpe, sem prova, não é

Flávio e Lula levaram ações ao TSE antes do segundo turno. Recorrer é direito de quem perde; acusar golpe sem provas, não.

Tribuna · ensaio assinadoArgumento e conclusões pertencem a quem assina este texto, não necessariamente à Revista 7 de Setembro.

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Visitantes com crachás sorriem para uma mulher de blazer vermelho no plenário do Tribunal Superior Eleitoral, com a bancada de madeira e a bandeira do Brasil ao fundo
Visitantes no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em foto de 8 de abril de 2025.Foto: Luiz Roberto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Na noite de domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele teve 51,79% dos votos válidos, aqueles que não são brancos nem nulos. Flávio Bolsonaro (PL) teve 48,21%.

A disputa na Justiça não começou no domingo. Em 14 de outubro, a campanha de Flávio pediu ao TSE a cassação da chapa de Lula, formada pelo presidente e pelo vice. Entre 21 e 23 de outubro, a campanha de Lula fez pedido semelhante contra a chapa de Flávio, e as reportagens divergem sobre a data exata.

Contestar tem regra

A Constituição prevê o caminho para quem discorda do resultado. O artigo 14, parágrafo 10, diz que o mandato pode ser impugnado “ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação”. A diplomação é o ato que oficializa os eleitos.

A mesma regra exige provas. A ação deve ser “instruída com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude”. O parágrafo 11 também pune quem age de má-fé, ao prever que o autor responde “se temerária ou de manifesta má-fé”.

Os argumentos da campanha de Flávio merecem resposta séria. Em vídeo de 26 de outubro, ele disse: “Então eu vou pedir sim a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu.” Segundo a petição de 14 de outubro, entidades como o MST e a UNE teriam colocado dinheiro, pessoal e canais de comunicação na campanha petista.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, aceitou processar Lula, Geraldo Alckmin e cinco dirigentes sindicais, em 15 de outubro. Ele deu 72 horas para a campanha de Flávio detalhar a conduta de outros dirigentes citados. Ou seja, o processo segue, mas ainda depende de provas.

O lado de Lula também apresenta acusações. Segundo o Metrópoles, a petição cita um aporte de US$ 24 milhões negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Procurada pelo Poder360, a campanha de Flávio não havia respondido até a publicação. São acusações da petição, e nenhuma delas foi julgada.

Onde a contestação vira golpe

Golpe é tentar tomar o poder fora das regras. Quem pede cassação no TSE está dentro delas, mesmo que o pedido seja rejeitado. A diferença não está no tom da crítica. Está no método.

Romeu Zema (Novo) foi além. Em vídeo, disse: “O Lula aplicou um golpe à la Venezuela.” A frase, publicada pela BBC News Brasil e republicada pelo Correio Braziliense, não vem acompanhada de prova. As reportagens consultadas também não apresentam documento que a sustente.

As instituições responderam no sentido oposto. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse: “Temos absoluta segurança do processo eleitoral.” O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou: “O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas.”

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pelo Conselho Federal, declarou que “a decisão das urnas deve ser respeitada por todos, independentemente das diferenças políticas”. Partidos aliados de Flávio também reconheceram a vitória de Lula, segundo o Correio Braziliense.

Sobre a sala-cofre, Flávio acusou a Justiça Eleitoral de ter retirado os fiscais do PL do local. O TSE respondeu que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”. Essa afirmação pode ser checada com registros oficiais, e não só com discursos.

Até a publicação, não havia decisão de mérito sobre nenhum dos pedidos. Flávio deixou, por ora, o pedido de anulação, segundo o Poder360. Ele passou a pedir a cassação da chapa de Lula.

Democracia significa aceitar que a Justiça pode dar razão ao perdedor. Também significa aceitar que ela pode negar. Acusar golpe sem prova faz o contrário: mina a confiança em quem conta os votos e em quem julga os recursos.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em vídeo de 26 de outubro, ele afirmou que vai pedir “a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu”, segundo o Poder360. Na noite de 25 de outubro, ele disse ser “impossível reconhecer o resultado”, segundo a Gazeta do Povo.

Como fizemos: Lemos reportagens publicadas entre 14 e 26 de outubro de 2026, acessadas em 27 de outubro de 2026, e os textos da Constituição no site do Planalto. Não lemos as petições originais, por isso as acusações sobre o financiamento sindical e o filme Dark Horse aparecem como alegações das partes. A fala de Zema foi conferida na versão do Correio Braziliense, pois não encontramos a página original da BBC.

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  • Flávio Bolsonaro

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