Personagens

José Bonifácio, o cientista que articulou a Independência do Brasil

Mineralogista com carreira na Europa, ele virou ministro em 1822, foi exilado em 1823 e foi tutor do futuro D. Pedro II; uma lei o inscreveu entre os heróis.

Ilustração abstrata em estilo de gravura, com rosácea de linhas douradas finas sobre fundo vermelho-tijolo
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 7 de setembro de 1822, uma das cartas que D. Pedro leu às margens do Ipiranga vinha de José Bonifácio de Andrada e Silva. O ministro, então com 59 anos, incentivava o príncipe a romper com Portugal. Poucos brasileiros da época tinham uma carreira tão longa fora do país antes de entrar na política.

Nascido em Santos, em 13 de junho de 1763, José Bonifácio estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal. Passou mais de três décadas na Europa e só voltou ao Brasil em 1819. Por isso, chegou à Independência como cientista respeitado, e não como político de carreira.

O cientista

Na década de 1790, ele viajou pela Europa estudando mineralogia, a ciência dos minerais. Nessa época, descreveu a petalita, mineral em que o químico sueco Johan August Arfwedson identificou o lítio, em 1817. Outro mineral, a andradita, recebeu esse nome em sua homenagem.

Em Portugal, foi professor de metalurgia em Coimbra e dirigiu a administração das minas do reino. Também foi secretário da Academia Real das Ciências de Lisboa.

O ministro de 1822

De volta ao Brasil, entrou na política em São Paulo. Em 1821, tornou-se vice-presidente do governo provisório da província. Em janeiro de 1822, assumiu o Ministério do Reino e dos Negócios Estrangeiros um dos postos mais importantes do governo do príncipe regente.

Como ministro, foi um dos principais articuladores da separação. Segundo a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), as Cortes de Lisboa chegaram a ordenar sua prisão. A ordem estava entre as cartas que alcançaram D. Pedro no Ipiranga.

Em 1823, ele preparou um texto à Assembleia Constituinte que propunha o fim gradual da escravidão. A proposta não foi adiante, mas mostra que suas ideias iam além da separação política.

A aliança com o imperador durou pouco. José Bonifácio deixou o ministério em julho de 1823 e passou a fazer oposição ao governo. Quando D. Pedro I fechou a Assembleia, em novembro daquele ano, ele foi preso e mandado para o exílio na França. Só voltou em 1829.

O tutor do imperador menino

Em 1831, D. Pedro I abdicou do trono e nomeou José Bonifácio tutor dos filhos. Entre eles estava o futuro D. Pedro II, então com 5 anos. Em dezembro de 1833, o governo da Regência o afastou da tutoria, acusado de conspirar pela volta do ex-imperador. Ele morreu em Niterói, em 6 de abril de 1838.

Por que Patriarca

O título de “Patriarca da Independência” vem do papel que ele teve em 1822. Foi o ministro que deu forma política à ruptura e organizou o governo do novo país. O apelido resume esse papel de fundador.

O que diz a Lei 11.135, de 2005: A lei determina, em seu artigo 1º, que “será inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Bonifácio de Andrada e Silva”. O texto está no portal de legislação da Presidência da República.

A trajetória de José Bonifácio mostra que a Independência não foi obra de um homem só. Ela dependeu de gente com formação, experiência de Estado e projeto de país. Lembrar o Patriarca é lembrar que ideias também fazem história.

Fontes

Temas

  • José Bonifácio
  • Independência do Brasil
  • Império
  • Heróis da Pátria

Editor de História

Editor de História (perfil provisório)

Perfil provisório do editor responsável pelas seções História e Personagens. Substitua pelo nome e pela biografia reais antes do lançamento.

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.