Caxias, nascido em 25 de agosto, é patrono do Exército desde 1962
Luís Alves de Lima e Silva comandou tropas do Império por mais de quatro décadas; seu aniversário virou o Dia do Soldado, oficializado em 1925.

Luís Alves de Lima e Silva nasceu em 25 de agosto de 1803, na Vila de Porto da Estrela, no Rio de Janeiro. A região faz parte hoje do município de Duque de Caxias, batizado em sua homenagem. É por causa dele que 25 de agosto é o Dia do Soldado.
Segundo o Exército, a “festa de Caxias” começou em 1923, nos 120 anos de seu nascimento. Em 1925, a data foi oficializada como Dia do Soldado. Em 13 de março de 1962, o Decreto nº 51.429 fez dele o patrono do Exército Brasileiro. Patrono é a figura escolhida como símbolo e exemplo de uma instituição.
Uma carreira de soldado
Caxias vinha de uma família de militares. Segundo o Exército, foi registrado como cadete em 1808, aos 5 anos, costume da época entre filhos de oficiais. Combateu pela primeira vez em 1823, na Bahia, contra as tropas portuguesas que resistiam à Independência.
Nas décadas seguintes, o Império o enviou para conter revoltas em várias províncias. Ele comandou a repressão à Balaiada, no Maranhão, encerrada em 1841. Em 1842, enfrentou as revoltas liberais de São Paulo e de Minas Gerais. Em 1845, negociou o fim da Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Dessas missões veio o apelido de “o Pacificador”.
Fora do país, comandou tropas na campanha contra Oribe e Rosas, em 1851 e 1852, na região do Rio da Prata. Na Guerra do Paraguai, chefiou as forças brasileiras de 1866 até o início de 1869, quando os aliados ocuparam Assunção.
Títulos, política e memória
D. Pedro II recompensou cada campanha com um título de nobreza. Caxias foi feito barão depois da Balaiada, conde depois da Farroupilha e marquês depois da guerra contra Oribe e Rosas. Após a Guerra do Paraguai, tornou-se duque, o único do reinado de D. Pedro II.
Ele também fez carreira política. Foi senador pelo Rio Grande do Sul, ministro da Guerra e presidente do Conselho de Ministros, cargo equivalente ao de chefe de governo no Império. Morreu em 7 de maio de 1880, em Valença (RJ). Seus restos estão no Panteão a Caxias, no centro do Rio.
A homenagem oficial continua. Em 2003, no bicentenário de seu nascimento, a Lei nº 10.641 inscreveu seu nome no Livro dos Heróis da Pátria. Nas escolas de formação de oficiais, cada cadete recebe o espadim, uma réplica da espada de Caxias.
A memória dele, porém, também é debatida. Historiadores ouvidos pelo site Guia Negro, em 2023, criticaram a repressão comandada por ele na Balaiada. Essa revolta teve grande participação de negros, quilombolas e indígenas.
O que diz o Exército: Em texto publicado em seu blog oficial no Dia do Soldado de 2025, o Exército lembra que Caxias foi escolhido patrono por decreto presidencial de 1962. Também afirma que a data de seu nascimento é celebrada como Dia do Soldado desde 1925 e que o espadim do cadete reproduz seu sabre.
Entender Caxias exige olhar as duas faces de sua trajetória. Ele foi peça central na manutenção da unidade territorial do Império. Foi também o comandante de campanhas duras contra revoltas populares. Conhecer as duas ajuda a entender por que o Exército o escolheu como símbolo e por que essa escolha ainda gera discussão.


