Personagens

Leopoldina presidiu sessão de 2 de setembro e escreveu a D. Pedro

Cinco dias antes do 7 de Setembro, a princesa regente reuniu o Conselho no Rio diante de notícias de Lisboa; a ata e a carta ao marido mostram seu papel.

Ilustração abstrata em estilo de gravura, com rosácea de linhas douradas finas sobre fundo vermelho-tijolo
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 2 de setembro de 1822, uma segunda-feira, a princesa Maria Leopoldina presidiu uma sessão do Conselho de Estado no Rio de Janeiro. O marido, o príncipe regente D. Pedro, estava em viagem a São Paulo. Cabia a ela, como regente interina, reagir às notícias que acabavam de chegar de Portugal.

Segundo a ata da sessão, as notícias falavam do projeto de enviar novas tropas ao Brasil e de insultos dirigidos a D. Pedro. Cinco dias depois, ele declararia a Independência às margens do Ipiranga.

Quem era Leopoldina

Leopoldina nasceu em Viena, em 22 de janeiro de 1797, filha do imperador Francisco I da Áustria. Chegou ao Rio em 1817, aos 20 anos, para casar com D. Pedro, num acordo entre as duas casas reais. Era culta e se interessava por ciências naturais.

Em agosto de 1822, D. Pedro partiu para São Paulo, para lidar com uma crise política na província. Na sessão de 14 de agosto, ele propôs que a princesa presidisse o Conselho dos Ministros e de Estado na sua ausência. Segundo a ata, a proposta foi “geralmente aprovada”.

O Conselho tinha sido criado em fevereiro de 1822, por decreto assinado por José Bonifácio. Reunia procuradores eleitos pelas províncias e os ministros do governo.

O que diz a ata

As atas do Conselho foram publicadas pelo Senado Federal. A da sessão de 2 de setembro registra que o conselheiro Lucas José Obes, representante de Montevidéu, leu um discurso. Ele pediu que “se não perdesse tempo”, porque as Cortes de Lisboa “tinham tirado a máscara”.

O Conselho então aprovou medidas concretas. Mandou embargar os fundos da Companhia dos Vinhos do Douro, empresa portuguesa, como represália. Determinou providências de segurança e defesa e pediu aos conselheiros militares um plano de campanha.

Segundo a apresentação da edição do Senado, a sessão decidiu também enviar às pressas um mensageiro a D. Pedro, “urgindo providências enérgicas e imediatas”. As cartas chegaram a ele em 7 de setembro.

A carta e o mito

Leopoldina escreveu ao marido no mesmo dia. Na versão mais divulgada, publicada pelo Correio IMS a partir de uma biografia escrita por Marsilio Cassotti, ela afirma: “O Brasil está como um vulcão”. Mais adiante, vem a frase mais famosa: “O pomo está maduro”.

Muitos textos dizem que Leopoldina “assinou a independência” naquele dia. A ata publicada pelo Senado não registra nenhum decreto desse tipo. O papel dela aparece nos fatos documentados: presidiu a sessão que aprovou medidas de defesa e pressionou o marido a romper com Lisboa.

O que diz a ata: “Reunidos os Conselheiros, e presidida a Sessão por Sua Alteza Real a Sereníssima Senhora Princesa Real”, registra o documento, assinado pelo secretário Joaquim Gonçalves Ledo. Em seguida, lista as decisões do dia: o embargo dos fundos portugueses, as medidas “de segurança, e defesa” e o “projeto de Campanha”. A transcrição está na edição das atas do Conselho dos Procuradores Gerais das Províncias, do Senado.

Leopoldina morreu em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos. Para a historiadora Mary del Priore, ouvida pela Agência Brasil em 2022, a imagem de esposa traída ofuscou o papel político da princesa. Ler a ata de 2 de setembro ajuda a corrigir esse retrato com documentos, e não com lendas.

Fontes

Temas

  • Maria Leopoldina
  • Independência do Brasil
  • Conselho de Estado
  • 1822

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