Joaquim Nabuco, o deputado que fez da abolição uma causa nacional
Pernambucano publicou O Abolicionismo em 1883, liderou a campanha na Câmara, ajudou a fundar a ABL e foi o primeiro embaixador do Brasil em Washington.

Em 1883, em Londres, o pernambucano Joaquim Nabuco publicou “O Abolicionismo”. O livro pedia o fim da escravidão no Brasil, cinco anos antes da Lei Áurea. Aos 30 e poucos anos, Nabuco já era um dos principais nomes da campanha.
Ele nasceu no Recife, em 19 de agosto de 1849. Era filho do senador José Tomás Nabuco de Araújo, político de destaque no Império. Estudou no Colégio Pedro II, no Rio, cursou Direito em São Paulo e se formou no Recife, em 1870.
Na Câmara
Entre 1876 e 1879, Nabuco foi adido diplomático em Londres e depois em Washington. De volta, elegeu-se deputado geral por Pernambuco, isto é, representante da província na Câmara do Império. Segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), sua chegada à Câmara marcou o início da campanha abolicionista.
Em 1880, ele criou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão. Entre 1881 e 1884, viveu na Europa, onde publicou seu livro mais famoso. De volta ao Brasil, foi eleito de novo deputado por Pernambuco e retomou o lugar de destaque na campanha.
Em “O Abolicionismo”, Nabuco sustenta que a escravidão marcava toda a sociedade brasileira, e não apenas os escravizados. Para ele, o fim do cativeiro deveria vir pela lei, votada no Parlamento. A campanha terminou com a abolição, em 13 de maio de 1888.
Monarquista na República
Com a Proclamação da República, em 1889, Nabuco manteve suas convicções monarquistas e se afastou da vida pública. Trabalhou como advogado, escreveu em jornais e frequentou a redação da Revista Brasileira. Ali conviveu com Machado de Assis, José Veríssimo e Lúcio de Mendonça.
Desse grupo nasceu a ABL, em 1897. Nabuco foi fundador da cadeira nº 27, que tem como patrono Maciel Monteiro. Em 28 de janeiro de 1897, foi designado secretário-geral da Academia.
Nesses anos, escreveu “Um Estadista do Império”, biografia do pai que é também uma história política do período. Escreveu ainda o livro de memórias “Minha Formação”, hoje considerado um clássico.
Em Washington
Em 1900, aceitou servir à República. O presidente Campos Sales o enviou a Londres para defender o Brasil na disputa de fronteira com a Guiana Inglesa. Em 1905, assumiu o posto em Washington.
Naquele ano, a representação brasileira nos Estados Unidos foi elevada a embaixada, e Nabuco se tornou o primeiro embaixador do país em Washington. Em 1906, presidiu no Rio a 3ª Conferência Pan-Americana, ao lado do secretário de Estado americano Elihu Root.
Nabuco morreu em Washington, em 17 de janeiro de 1910. Seu corpo voltou ao Brasil num navio americano e foi levado ao Recife, a cidade onde nasceu.
O que diz a Academia Brasileira de Letras: Na biografia publicada em seu site, a ABL afirma que a entrada de Nabuco na Câmara “marcou o início da campanha em favor do Abolicionismo, que logo se tornou causa nacional”. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), instituição federal com sede no Recife, publica o mesmo perfil.
A trajetória de Nabuco mostra que a abolição também foi feita com discursos, votos e livros. Ela não diminui o papel de outros abolicionistas nem a resistência dos próprios escravizados. Mas ajuda a entender como a causa chegou ao centro do Parlamento.


