Opinião

Evangélicos apoiam Flávio com cautela, e o apoio oscila nas pesquisas

Quaest mostra 61% dos evangélicos com Flávio em maio, 52% em junho e 60% em outubro; Malafaia e a Universal mantêm cautela.

OpiniãoEste é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista 7 de Setembro.

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O pastor Silas Malafaia, de terno escuro e gravata vermelha, fala ao microfone
O pastor Silas Malafaia durante evento em abril de 2019 (foto de arquivo).Foto: Marcos Corrêa / PR / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 18 de agosto, o pastor Silas Malafaia disse que apoia Flávio Bolsonaro, mas não vai organizar atos de campanha, segundo o Poder360. “Não vou organizar nada, isso não é comigo, é com eles”, afirmou. É um apoio com o freio de mão puxado.

Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, temos um nome a zelar. Este texto mostra até onde vai esse apoio.

Em 13 de maio, o The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O dinheiro seria para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Um apoio que vai e volta

Em 3 de maio, antes do áudio, Malafaia declarou apoio a Flávio durante um culto em sua igreja, na Penha, no Rio, segundo o Estado de Minas. “Esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente”, disse, segundo o Metrópoles.

Depois do áudio, ele disse em vídeo que não julgaria o senador por “vazamentos seletivos”. A checagem da Aos Fatos não encontrou crítica pública dele a Flávio sobre o caso. Em 18 de agosto, porém, voltou ao apoio, com limites.

Outros líderes seguem a mesma cautela. O bispo Robson Rodovalho disse ao SBT News, em 14 de maio, que “todo mundo está dando benefício da dúvida e esperando”. Ele disse não sentir que o caso abalou o segmento evangélico.

Benefício da dúvida não é confiança. Em 23 de julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar repasses de Vorcaro ao filme, a pedido da própria PF.

Flávio é investigado no STF, não réu, e nenhum desses fatos o transforma em criminoso. Em sabatina na TV Globo, em 16 de outubro, ele disse que foi “um patrocínio privado, para um filme privado”.

O eleitor também percebeu

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas de 5 a 8 de junho, com margem de erro de 2 pontos percentuais para o total da amostra. Entre os evangélicos, Flávio caiu de 61% para 52%, e Lula subiu de 24% para 31%. A tabela reúne as três pesquisas.

Apoio de evangélicos a Flávio caiu em junho e voltou a 60% em outubro Percentual de votos para presidente entre evangélicos, pesquisas Quaest de maio, junho e outubro de 2026

Pesquisa Flávio (%) Lula (%)
Maio de 2026 61 24
Junho (coleta de 5 a 8) 52 31
Outubro (coleta de 10 a 13) 60 28

Fonte: Quaest, por meio do Poder360 (maio e junho) e do O Liberal (outubro). Elaboração: redação. Queda de 9 pontos percentuais de maio a junho; alta de 8 pontos percentuais de junho a outubro.

A queda de 9 pontos percentuais equivale a cerca de 15% do patamar de maio. A coleta começou pouco mais de três semanas depois do áudio, o que coincide com a queda. Coincidência não prova causa.

Mas o dado de outubro muda o quadro. Entre 10 e 13 de outubro, a Quaest mostra Flávio com 60% dos evangélicos, contra 28% de Lula. Mesmo assim, a cautela dos líderes continua, e o eleitor tem todo o direito de hesitar.

Católicos e a Universal

O Republicanos, criado para acolher políticos da Universal, confirmou apoio a Flávio no segundo turno em 7 de outubro, segundo a CNN Brasil. Na noite de quarta-feira (14), a cúpula da Universal disse a pastores que não apoiará Lula nem Flávio, segundo a CartaCapital. Ou seja, o partido apoia Flávio, e a igreja não apoia nenhum dos dois.

Em 27 de setembro, Flávio acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudar o Partido dos Trabalhadores (PT) a espalhar um boato. O boato dizia que ele tiraria o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A CNBB negou no mesmo dia e disse que acusações sem fatos e provas a prejudicam.

Flávio agradeceu a nota e chamou o rumor de “uma grande fake news”, mas manteve críticas a Lula. O bispo Dom Vicente Ferreira lembrou na rede social X que o pai do senador disse que a CNBB é “a parte podre da Igreja Católica”. Acusar sem provas não é a melhor forma de pedir a confiança dos católicos de direita.

O que diz Flávio Bolsonaro: Na sabatina da TV Globo, em 16 de outubro, disse que o dinheiro de Vorcaro foi “um patrocínio privado, para um filme privado”, sem contrapartida por ser senador. Sobre a CNBB, chamou o rumor de “uma grande fake news” e agradeceu a nota da entidade (fontes: SBT News e Poder360).

Na vida cívica, o voto funciona como uma procuração. Quem vota entrega a alguém o direito de falar em seu nome por quatro anos, como prevê a Constituição (art. 82).

Ninguém aqui pede que o leitor goste de Lula ou esqueça o que discorda dele. Pedimos que guarde a marca da direita para um candidato que não precise ser defendido com tantas ressalvas.

O voto é secreto, e o nome da direita pertence a quem o constrói. No domingo (25), data do segundo turno, quem ama esse nome pode seguir a cautela dos próprios aliados de Flávio: pensar duas vezes antes de emprestá-lo.

Como fizemos: Usamos reportagens e checagens sobre as pesquisas Quaest de maio, junho e outubro de 2026, acessadas em 21 de outubro de 2026 e listadas em Fontes. Os números de junho (coleta de 5 a 8, 2.004 entrevistas, margem de 2 pontos percentuais) e de outubro (coleta de 10 a 13, margem de 2 pontos percentuais, 95% de confiança) vêm de reportagens que citam a pesquisa; não acessamos o relatório oficial da Quaest, e a fonte de maio não traz amostra nem margem de erro. As variações em pontos percentuais, a proporção de 15% e a comparação entre as pesquisas são cálculos nossos; não há valores em dinheiro, por isso não houve correção pela inflação. Os dados não mostram por que o apoio oscilou.

Atualização: esta versão inclui dados e declarações de 16 de outubro, posteriores à primeira publicação.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Malafaia se afastou de Flávio em junho, depois do áudio. O áudio foi divulgado em 13 de maio, e a checagem da Aos Fatos não encontrou crítica pública de Malafaia ao senador sobre o caso.

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Ítalo Muniz

Editor de Redação

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