Opinião

Flávio agradeceu a Trump por tarifa de 50% contra o Brasil

Em julho de 2025, Flávio agradeceu a Trump pela tarifa de 50% ligada ao julgamento do pai, e depois disse ter se arrependido.

OpiniãoEste é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista 7 de Setembro.

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Donald Trump, sentado à mesa do Salão Oval, sorri ao lado de Flávio Bolsonaro, de pé, diante de bandeiras dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, em 26 de maio de 2026.Foto: Casa Branca / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 9 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro usou a rede social X para agradecer a Donald Trump. O motivo era uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que o presidente americano ligou ao julgamento de Jair Bolsonaro.

Esta revista leva no nome a data da Independência. Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, aprendemos na escola que pátria se defende, não se oferece. Um brasileiro pode admirar os Estados Unidos, mas não pode comemorar uma punição contra o próprio país. Os fatos mostram um padrão, não um deslize isolado.

Trump anunciou em carta a Lula uma tarifa de 50%, conhecida como tarifaço, com início previsto para 1º de agosto de 2025. Ele ligou a medida ao processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 30 de julho, o Tesouro americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes, que conduzia o caso, com base na Lei Magnitsky.

Essa lei dos Estados Unidos pune estrangeiros acusados de corrupção ou de violar direitos humanos. Segundo o site Axios, a tarifa de 50% foi depois retirada, mas o gesto de Flávio ficou registrado.

Um padrão, não um tropeço

O post não foi caso isolado na família. Em 16 de junho de 2026, o STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, por coação no curso do processo. Segundo a Agência Brasil, ele articulou o tarifaço para tentar evitar a condenação do pai. A pena é de 4 anos e 2 meses, em regime semiaberto, e cabe recurso.

Segundo a Poder360, Eduardo considera “provável” a volta das sanções contra Moraes. Ele diz que isso depende da vitória de Flávio na eleição. As sanções foram revogadas em dezembro de 2025, também segundo a Poder360. Eduardo afirmou que vai atuar pessoalmente junto à Casa Branca e ao Departamento de Estado.

Flávio também recorreu a plateias estrangeiras. Em 28 de março de 2026, ele discursou na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Pediu que o “mundo livre” observasse “as eleições do Brasil com enorme atenção”. Pedir observação externa da própria eleição é dizer ao mundo que não se confia no Brasil.

A tabela abaixo reúne as oito datas citadas neste texto.

Tarifas e sanções americanas aparecem em sete das oito datas do caso Datas citadas neste texto, de julho de 2025 a outubro de 2026

Data O que aconteceu Envolve tarifa ou sanção
9 jul 2025 Flávio agradece a Trump pela tarifa de 50% no X Sim
25 jul 2025 Em entrevista à CNN Brasil, diz ter se arrependido da postagem Sim
30 jul 2025 EUA sancionam Moraes com a Lei Magnitsky Sim
dez 2025 Sanções contra Moraes são revogadas Sim
28 mar 2026 Flávio discursa na CPAC, nos EUA, e pede observação da eleição Não
16 jun 2026 STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por coação ligada ao tarifaço Sim
10 out 2026 Eduardo vê “provável” a volta das sanções, condicionada à vitória de Flávio Sim
18 out 2026 Debate na TV Band: Flávio chama de fake news pergunta de Lula sobre terras raras e acusa governo sobre tarifas Sim

Fonte: SBT News, CNN Brasil, Agência Brasil, Poder360 e Correio Braziliense; data do segundo turno segundo a Wikipédia. Elaboração: redação.

O que Flávio disse depois

Flávio disse à CNN Brasil que “já me arrependi na hora” de publicar o post. No debate da TV Band, em 18 de outubro de 2026, ele chamou de fake news a pergunta de Lula sobre entregar as terras raras aos Estados Unidos. Terras raras são minerais usados em baterias e equipamentos eletrônicos. Segundo o Correio Braziliense, ele não respondeu diretamente à pergunta.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em entrevista à CNN Brasil, publicada em 25 de julho de 2025, ele disse que se arrependeu da postagem. Segundo a emissora, o conteúdo foi removido para evitar interpretações equivocadas. No debate da TV Band, em 18 de outubro de 2026, acusou o governo Lula de “não defender empresas brasileiras diante das tarifas norte-americanas”.

Aliança não é submissão

É justo ouvir o leitor de direita que vê nos Estados Unidos um aliado natural do Brasil, posição legítima que muitos de nós compartilham. Uma parceria pode trazer investimento, tecnologia e mercado. Mas aliança não é submissão. Um aliado pode negociar com Washington sem aplaudir uma punição ao próprio país.

A conta, aliás, não caiu sobre os políticos. Caiu sobre os exportadores atingidos pela taxa e sobre quem trabalha para eles. É essa gente que o patriotismo de palanque costuma esquecer quando a bandeira vira só fantasia de campanha. Um patriota pode ser oposição ao governo e, ao mesmo tempo, defender o Brasil quando ele é atacado de fora.

Arrepender-se é humano, e o arrependimento conta. Mas um presidente não governa só nos dias calmos. Governa nos dias em que o Brasil é pressionado, e é nesses dias que o país precisa saber de que lado ele fica.

No domingo (25), data do segundo turno da eleição presidencial, o eleitor de direita tem o direito de fazer essa pergunta. Pedimos apenas que não confunda bandeira com patriotismo. O 7 de Setembro lembra que a Independência foi uma escolha pelo Brasil. Agradecer tarifa contra o país foi a escolha oposta, e quem a fez agora pede a faixa presidencial.

Como fizemos: Reconstruímos as datas a partir de reportagens da SBT News, CNN Brasil, Agência Brasil, Poder360 e Correio Braziliense, acessadas em 20 de outubro de 2026. Não fizemos cálculos com números, exceto a contagem de datas da tabela, e as falas citadas não mostram a intenção de quem as fez. A data do segundo turno vem da Wikipédia, que cita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porque o site do tribunal não estava acessível. A informação do Axios sobre a retirada da tarifa não pôde ser lida nem confirmada por outra fonte, por isso aparece atribuída ao site.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Flávio afirmou, no debate da TV Band, ter ido aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras. A reportagem do Correio Braziliense não registra essa declaração. No debate, ele acusou o governo de não defender as empresas diante das tarifas.

Fontes

Temas

  • Opinião
  • Falsa Direita
  • Tarifaço
  • Soberania
  • Estados Unidos

Nathan Bezerra

Repórter de Símbolos nacionais

Cobre símbolos nacionais para o Revista 7 de Setembro.

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