Flávio agradeceu a Trump por tarifa de 50% contra o Brasil
Em julho de 2025, Flávio agradeceu a Trump pela tarifa de 50% ligada ao julgamento do pai, e depois disse ter se arrependido.
OpiniãoEste é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista 7 de Setembro.
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Em 9 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro usou a rede social X para agradecer a Donald Trump. O motivo era uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que o presidente americano ligou ao julgamento de Jair Bolsonaro.
Esta revista leva no nome a data da Independência. Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, aprendemos na escola que pátria se defende, não se oferece. Um brasileiro pode admirar os Estados Unidos, mas não pode comemorar uma punição contra o próprio país. Os fatos mostram um padrão, não um deslize isolado.
Trump anunciou em carta a Lula uma tarifa de 50%, conhecida como tarifaço, com início previsto para 1º de agosto de 2025. Ele ligou a medida ao processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Em 30 de julho, o Tesouro americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes, que conduzia o caso, com base na Lei Magnitsky.
Essa lei dos Estados Unidos pune estrangeiros acusados de corrupção ou de violar direitos humanos. Segundo o site Axios, a tarifa de 50% foi depois retirada, mas o gesto de Flávio ficou registrado.
Um padrão, não um tropeço
O post não foi caso isolado na família. Em 16 de junho de 2026, o STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, por coação no curso do processo. Segundo a Agência Brasil, ele articulou o tarifaço para tentar evitar a condenação do pai. A pena é de 4 anos e 2 meses, em regime semiaberto, e cabe recurso.
Segundo a Poder360, Eduardo considera “provável” a volta das sanções contra Moraes. Ele diz que isso depende da vitória de Flávio na eleição. As sanções foram revogadas em dezembro de 2025, também segundo a Poder360. Eduardo afirmou que vai atuar pessoalmente junto à Casa Branca e ao Departamento de Estado.
Flávio também recorreu a plateias estrangeiras. Em 28 de março de 2026, ele discursou na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Pediu que o “mundo livre” observasse “as eleições do Brasil com enorme atenção”. Pedir observação externa da própria eleição é dizer ao mundo que não se confia no Brasil.
A tabela abaixo reúne as oito datas citadas neste texto.
Tarifas e sanções americanas aparecem em sete das oito datas do caso Datas citadas neste texto, de julho de 2025 a outubro de 2026
| Data | O que aconteceu | Envolve tarifa ou sanção |
|---|---|---|
| 9 jul 2025 | Flávio agradece a Trump pela tarifa de 50% no X | Sim |
| 25 jul 2025 | Em entrevista à CNN Brasil, diz ter se arrependido da postagem | Sim |
| 30 jul 2025 | EUA sancionam Moraes com a Lei Magnitsky | Sim |
| dez 2025 | Sanções contra Moraes são revogadas | Sim |
| 28 mar 2026 | Flávio discursa na CPAC, nos EUA, e pede observação da eleição | Não |
| 16 jun 2026 | STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por coação ligada ao tarifaço | Sim |
| 10 out 2026 | Eduardo vê “provável” a volta das sanções, condicionada à vitória de Flávio | Sim |
| 18 out 2026 | Debate na TV Band: Flávio chama de fake news pergunta de Lula sobre terras raras e acusa governo sobre tarifas | Sim |
Fonte: SBT News, CNN Brasil, Agência Brasil, Poder360 e Correio Braziliense; data do segundo turno segundo a Wikipédia. Elaboração: redação.
O que Flávio disse depois
Flávio disse à CNN Brasil que “já me arrependi na hora” de publicar o post. No debate da TV Band, em 18 de outubro de 2026, ele chamou de fake news a pergunta de Lula sobre entregar as terras raras aos Estados Unidos. Terras raras são minerais usados em baterias e equipamentos eletrônicos. Segundo o Correio Braziliense, ele não respondeu diretamente à pergunta.
O que diz Flávio Bolsonaro: Em entrevista à CNN Brasil, publicada em 25 de julho de 2025, ele disse que se arrependeu da postagem. Segundo a emissora, o conteúdo foi removido para evitar interpretações equivocadas. No debate da TV Band, em 18 de outubro de 2026, acusou o governo Lula de “não defender empresas brasileiras diante das tarifas norte-americanas”.
Aliança não é submissão
É justo ouvir o leitor de direita que vê nos Estados Unidos um aliado natural do Brasil, posição legítima que muitos de nós compartilham. Uma parceria pode trazer investimento, tecnologia e mercado. Mas aliança não é submissão. Um aliado pode negociar com Washington sem aplaudir uma punição ao próprio país.
A conta, aliás, não caiu sobre os políticos. Caiu sobre os exportadores atingidos pela taxa e sobre quem trabalha para eles. É essa gente que o patriotismo de palanque costuma esquecer quando a bandeira vira só fantasia de campanha. Um patriota pode ser oposição ao governo e, ao mesmo tempo, defender o Brasil quando ele é atacado de fora.
Arrepender-se é humano, e o arrependimento conta. Mas um presidente não governa só nos dias calmos. Governa nos dias em que o Brasil é pressionado, e é nesses dias que o país precisa saber de que lado ele fica.
No domingo (25), data do segundo turno da eleição presidencial, o eleitor de direita tem o direito de fazer essa pergunta. Pedimos apenas que não confunda bandeira com patriotismo. O 7 de Setembro lembra que a Independência foi uma escolha pelo Brasil. Agradecer tarifa contra o país foi a escolha oposta, e quem a fez agora pede a faixa presidencial.
Como fizemos: Reconstruímos as datas a partir de reportagens da SBT News, CNN Brasil, Agência Brasil, Poder360 e Correio Braziliense, acessadas em 20 de outubro de 2026. Não fizemos cálculos com números, exceto a contagem de datas da tabela, e as falas citadas não mostram a intenção de quem as fez. A data do segundo turno vem da Wikipédia, que cita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porque o site do tribunal não estava acessível. A informação do Axios sobre a retirada da tarifa não pôde ser lida nem confirmada por outra fonte, por isso aparece atribuída ao site.
Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Flávio afirmou, no debate da TV Band, ter ido aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras. A reportagem do Correio Braziliense não registra essa declaração. No debate, ele acusou o governo de não defender as empresas diante das tarifas.
Fontes
- Flávio também agradeceu a Trump por tarifas em 2025 — SBT News
- Flávio Bolsonaro à CNN: me arrependi da postagem sobre tarifas de Trump — CNN Brasil
- US sanctions Brazil’s Supreme Court justice overseeing case against Bolsonaro — UW–Madison LADD
- Brazil election: Lula, Flávio Bolsonaro, Trump and the Amazon — Axios (não acessível na verificação; informação não confirmada)
- STF condena Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade e a 4 anos de prisão — Agência Brasil
- Assista ao discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA e leia a íntegra — Poder360
- Eduardo diz que atuará nos EUA para retomada da Magnitsky a Moraes — Poder360
- Lula questiona Flávio sobre terras raras e desafia senador — Correio Braziliense
- Eleição presidencial no Brasil em 2026 — Wikipédia (acesso em 20 de outubro de 2026)



