Memória

Em 2024, entidades criticaram paralisia do Memórias Reveladas

Em 2024, arquivistas e historiadores criticaram o Arquivo Nacional por um centro que guarda documentos da ditadura, criado em 2009.

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Fachada do prédio do Arquivo Nacional no Rio de Janeiro, com a palavra ARQUIVO NACIONAL no frontão, palmeiras altas e pedestres na calçada
Fachada do prédio do Arquivo Nacional, na Praça da República, no Rio de Janeiro.Foto: Halley Pacheco de Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em 30 de janeiro de 2024, a Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP) publicou um texto criticando a paralisação do Memórias Reveladas. A ARQ-SP reúne profissionais da arquivologia, a área que organiza e guarda documentos. O centro fica no Arquivo Nacional, o arquivo público do governo federal, e trata da ditadura militar. Entidades de história, como a Associação Nacional de História do Rio de Janeiro (ANPUH-RJ), também se manifestaram.

O caso é de 2024, não de agora. Esta reportagem explica o que é o centro, o que ele guarda e o que as entidades disseram. Ela também mostra o que mudou depois.

O que é o Memórias Reveladas

O projeto foi criado em 2009 para dar acesso a arquivos da ditadura. Segundo a newsletter Giro do Arquivo, ele mantém uma base de dados sobre acervos do tema. A mesma fonte diz que cerca de 13 milhões de páginas de documentos federais já foram digitalizadas.

O centro também organiza um prêmio de pesquisa sobre o período. Em 25 de junho de 2026, o Arquivo Nacional anunciou as inscrições para a sexta edição.

O que as entidades disseram

Segundo o Giro do Arquivo, a ARQ-SP escreveu que o Memórias Reveladas “foi alvo de inúmeras denúncias públicas sobre a tentativa de esvaziamento de suas atividades”. A entidade também afirmou que “não houve, até o momento, uma nova edição do Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas, cuja periodicidade deveria ser bienal”. Bienal quer dizer a cada dois anos.

A ANPUH-RJ manifestou solidariedade ao projeto. A entidade o chamou de “uma experiência de tratamento e acesso a acervos em rede”. Lamentou que a documentação “não esteja recebendo a atenção devida e necessária”.

O Giro do Arquivo também relata que o centro foi reduzido a “apenas três servidores” no fim de 2022. Inez Stampa, ex-chefe do projeto, disse que a direção pode definir prioridades. Para ela, “não tem justificativa para ter paralisado todas as atividades”.

Reativação em 2024

Em maio de 2024, o governo federal reativou o centro por meio de portaria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Pelo texto, o Memórias Reveladas é um “espaço de convergência e difusão de documentos ou informações”. O período tratado vai de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985.

Um grupo de trabalho recebeu prazo de seis meses para entregar um relatório final. O Arquivo Nacional também nomeou uma Comissão de Altos Estudos com 30 integrantes. Segundo o Giro, 21 deles são historiadores, e nenhum é especialista em arquivologia.

O que diz o Arquivo Nacional: Em março de 2024, a assessoria de comunicação do órgão afirmou que a direção “tem empreendido ações para reconstrução e fortalecimento” do centro. Segundo o Giro, que cita a Brasil de Fato, a nota não disse quais ações foram tomadas. Não encontramos posição atual do órgão sobre o caso até esta publicação.

O que fica em aberto

O boletim chama o banco de dados de “um dos maiores legados do centro”. Segundo ele, o destino desse banco segue incerto. Nas fontes consultadas, não localizamos o relatório final do grupo de trabalho nem um balanço público da comissão.

As críticas de 2024 apontaram a inatividade do centro, conselhos sem convocação e a falta de uma nova edição do prêmio. Para saber a situação atual do Memórias Reveladas, é preciso consultar o próprio Arquivo Nacional.

Como fizemos: Usamos a newsletter Giro do Arquivo, de 6 de fevereiro, 2 de abril e 21 de maio de 2024, e notícias do portal do Arquivo Nacional, acessados em 24 de outubro de 2026. O boletim cita textos da ARQ-SP, da ANPUH-RJ e da Brasil de Fato, que não consultamos diretamente. Não fizemos cálculos próprios. Não lemos a portaria integral nem verificamos a situação do centro em 2026, além do anúncio do prêmio.

Fontes