Memória

Cesta Ye’kwana vence prêmio e leva saber indígena a museu

Fishau vence Produção Coletiva entre quatro vencedores; peça feita com cipó e corantes naturais será exposta em São Paulo a partir de 14 de novembro.

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Ilustração abstrata com linhas verdes e amarelas entrelaçadas
Imagem provisória: ilustração abstrata nas cores da marca.Ilustração: Imagem provisória

A cesta Fishau, também chamada Wöwa Tömennato, venceu a categoria Produção Coletiva do 10º Prêmio Objeto Brasileiro. A peça é produzida pelo povo Ye’kwana, da região de Awaris, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

O reconhecimento leva ao museu um objeto que reúne técnica, grafismos, relações comunitárias e proteção territorial. A Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume) inscreveu a cesta em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA).

Uma seleção com quatro vencedores

O prêmio, promovido pelo Museu A CASA do Objeto Brasileiro, selecionou 26 obras. Quatro venceram, uma em cada categoria. As outras 22 também participarão da exposição presencial, mas sem premiação em dinheiro.

A categoria vencida pela cesta é Produção Coletiva. As demais são Produção Autoral, Ação Socioambiental e Novos Talentos. A exposição abre em 14 de novembro, em São Paulo, e segue até 14 de março de 2027.

A cesta está entre quatro vencedores de 26 obras

Distribuição da seleção do 10º Prêmio Objeto Brasileiro

Situação Obras Destino
Vencedoras das quatro categorias 4 Exposição e premiação
Demais selecionadas 22 Exposição e certificado
Total 26 Mostra em São Paulo

Fonte: Museu A CASA e ISA. Elaboração: redação.

O conhecimento dentro do objeto

O Fishau tem tampa e formato cilíndrico. Tradicionalmente, homens Ye’kwana o produzem com folhas do cipó Ködaayu. As fibras são descascadas, limpas, fiadas, tingidas e trançadas manualmente.

Os corantes vêm de cipós, cascas e raízes. Alguns pigmentos ficam na lama por até duas semanas. Os desenhos incluem grafismos tradicionais e figuras como o Yaddakadu, nome do macaco na referência cultural apresentada pelo ISA.

Júlio Ye’kwana, presidente da Seduume, pesquisa a relação entre cestaria e preservação dos saberes. “A exposição para nós é isso: mostrar […] a importância do nosso conhecimento e da nossa floresta”, declarou.

A associação tem 72 associados e representa cerca de 1.500 pessoas, segundo o ISA. A coleta da matéria-prima também percorre o território e se combina com a vigilância prevista no Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Yanomami.

O que diz o Museu A CASA: a instituição confirma 26 obras selecionadas e quatro vencedoras. Todas as peças escolhidas integram a exposição, com entrada gratuita, enquanto as demais 22 recebem certificados de participação.

Memória viva e economia do território

O prêmio não transforma a cesta em peça do passado. A produção continua e envolve transmissão de conhecimento, uso da língua e geração de renda. O ISA relaciona o artesanato ao fortalecimento das economias da sociobiodiversidade.

A mostra poderá apresentar esse conhecimento indígena a novos públicos brasileiros. O endereço é a Avenida Pedroso de Morais, 1216, em Pinheiros. A visitação ocorre de terça a domingo, das 10h às 18h.

Como fizemos: Conferimos os números e o calendário no Museu A CASA e a descrição da peça, das técnicas e da associação no ISA. Comparamos as quatro vencedoras com as 26 obras selecionadas. Não apresentamos a cesta como objeto genérico de design nem separamos sua técnica do contexto territorial.

Fontes