Memória

Dossiê sobre repatriação aceita oito formatos até 31 de outubro

Chamada dos Anais do Museu Histórico Nacional discute troféus de guerra, colonialismo e memória; trabalhos selecionados integrarão volume 61, em 2027.

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Canhão histórico El Cristiano exposto no pátio do Museu Histórico Nacional
Canhão El Cristiano no Pátio dos Canhões do Museu Histórico Nacional, no Rio, em 3 de janeiro de 2018.Foto: Rodrigo Padula / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os Anais do Museu Histórico Nacional recebem até 31 de outubro trabalhos para um dossiê sobre repatriação, guerra, colonialismo e memória. A chamada aceita oito formatos de contribuição e prevê publicação no volume 61 do periódico, em 2027.

Repatriar é devolver um bem cultural ao seu lugar ou povo de origem. O ponto de partida da chamada é o debate sobre o canhão El Cristiano, troféu paraguaio levado ao Brasil na Guerra da Tríplice Aliança.

Oito formas de participar

O dossiê aceita artigos, ensaios, estudos de caso, relatos de experiência, notas de pesquisa, traduções, resenhas e entrevistas. As propostas passarão por avaliação das organizadoras e da equipe editorial.

A chamada procura pesquisas sobre bens ligados a conflitos armados, saques coloniais e formação de memórias. Também inclui produção artística e discursos sobre monumentos, violência e construção da paz.

A organização cabe a Mara Lúcia Carret de Vasconcelos e Rita Matos Coitinho, do Museu Victor Meirelles, e Nicole Isabel dos Reis, da Presidência da República. As três conduzem o recorte temático com a equipe do periódico.

A chamada reúne prazo, escopo e formatos

Informações do dossiê dos Anais do Museu Histórico Nacional

Item Informação
Encerramento 31 de outubro de 2026
Publicação Volume 61, em 2027
Organizadoras Três pesquisadoras
Formatos aceitos Oito modalidades

Fonte: Anais do Museu Histórico Nacional. Elaboração: redação.

Por que El Cristiano está no debate

O canhão foi fabricado com metal de doações e sinos de igrejas paraguaias durante a guerra. Após a derrota paraguaia, o objeto veio ao Brasil como troféu. Hoje é tombado e integra a coleção do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

Em 2010, o então ministro da Cultura Juca Ferreira propôs discutir sua devolução ao Paraguai. A medida não avançou por razões políticas e operacionais, segundo a chamada. O tema voltou ao debate público em 2023.

O caso difere de objetos retirados em expedições coloniais. Um troféu de guerra também participa da memória construída por instituições nacionais. Por isso, a devolução envolve soberania, narrativa histórica e significado para os dois países.

O que diz a equipe editorial: as organizadoras convidam pesquisadores a examinar as violências presentes nos acervos e o papel do patrimônio na construção da paz. As diretrizes para envio estão na aba “Submissões” da página dos Anais MHN.

Um debate além de um único objeto

A chamada não limita o dossiê ao canhão. Também abrange patrimônio destruído em guerras, saques em contextos coloniais e protestos contra monumentos ligados a colonizadores e bandeirantes.

O leitor interessado em participar deve consultar as normas antes de preparar o texto. Enviar uma proposta não garante publicação. A chamada define temas e formatos, mas mantém avaliação editorial para compor o volume.

Como fizemos: Lemos a chamada completa na página oficial dos Anais MHN e contamos os oito formatos expressamente citados. Comparamos os marcos de 2010 e 2023 apresentados pelo próprio periódico. Não tratamos a existência do debate como decisão já tomada sobre a devolução.

Fontes