Dossiê sobre repatriação aceita oito formatos até 31 de outubro
Chamada dos Anais do Museu Histórico Nacional discute troféus de guerra, colonialismo e memória; trabalhos selecionados integrarão volume 61, em 2027.
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Os Anais do Museu Histórico Nacional recebem até 31 de outubro trabalhos para um dossiê sobre repatriação, guerra, colonialismo e memória. A chamada aceita oito formatos de contribuição e prevê publicação no volume 61 do periódico, em 2027.
Repatriar é devolver um bem cultural ao seu lugar ou povo de origem. O ponto de partida da chamada é o debate sobre o canhão El Cristiano, troféu paraguaio levado ao Brasil na Guerra da Tríplice Aliança.
Oito formas de participar
O dossiê aceita artigos, ensaios, estudos de caso, relatos de experiência, notas de pesquisa, traduções, resenhas e entrevistas. As propostas passarão por avaliação das organizadoras e da equipe editorial.
A chamada procura pesquisas sobre bens ligados a conflitos armados, saques coloniais e formação de memórias. Também inclui produção artística e discursos sobre monumentos, violência e construção da paz.
A organização cabe a Mara Lúcia Carret de Vasconcelos e Rita Matos Coitinho, do Museu Victor Meirelles, e Nicole Isabel dos Reis, da Presidência da República. As três conduzem o recorte temático com a equipe do periódico.
A chamada reúne prazo, escopo e formatos
Informações do dossiê dos Anais do Museu Histórico Nacional
| Item | Informação |
|---|---|
| Encerramento | 31 de outubro de 2026 |
| Publicação | Volume 61, em 2027 |
| Organizadoras | Três pesquisadoras |
| Formatos aceitos | Oito modalidades |
Fonte: Anais do Museu Histórico Nacional. Elaboração: redação.
Por que El Cristiano está no debate
O canhão foi fabricado com metal de doações e sinos de igrejas paraguaias durante a guerra. Após a derrota paraguaia, o objeto veio ao Brasil como troféu. Hoje é tombado e integra a coleção do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Em 2010, o então ministro da Cultura Juca Ferreira propôs discutir sua devolução ao Paraguai. A medida não avançou por razões políticas e operacionais, segundo a chamada. O tema voltou ao debate público em 2023.
O caso difere de objetos retirados em expedições coloniais. Um troféu de guerra também participa da memória construída por instituições nacionais. Por isso, a devolução envolve soberania, narrativa histórica e significado para os dois países.
O que diz a equipe editorial: as organizadoras convidam pesquisadores a examinar as violências presentes nos acervos e o papel do patrimônio na construção da paz. As diretrizes para envio estão na aba “Submissões” da página dos Anais MHN.
Um debate além de um único objeto
A chamada não limita o dossiê ao canhão. Também abrange patrimônio destruído em guerras, saques em contextos coloniais e protestos contra monumentos ligados a colonizadores e bandeirantes.
O leitor interessado em participar deve consultar as normas antes de preparar o texto. Enviar uma proposta não garante publicação. A chamada define temas e formatos, mas mantém avaliação editorial para compor o volume.
Como fizemos: Lemos a chamada completa na página oficial dos Anais MHN e contamos os oito formatos expressamente citados. Comparamos os marcos de 2010 e 2023 apresentados pelo próprio periódico. Não tratamos a existência do debate como decisão já tomada sobre a devolução.



