No dia do circuit breaker, juros futuros subiram em toda a curva
Dólar futuro, DI e Ibovespa futuro: o que são, quem negocia e o que a alta dos juros futuros de 26 de outubro significa para o crédito.
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- Sueli Neves
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Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o Ibovespa caiu 13,88% e fechou aos 176.608,23 pontos. O Ibovespa é o principal índice de ações da B3, a Bolsa brasileira. Às 9h57, a B3 acionou o circuit breaker, uma pausa automática na negociação. O mercado parou por 30 minutos, segundo a InfoMoney.
No mesmo dia, os juros futuros subiram em toda a curva. Esses contratos mostram o que o mercado espera para os juros nos próximos anos. Entendê-los ajuda a ler as notícias de economia.
Para isso, é preciso conhecer quatro termos. Um derivativo é um contrato cujo valor depende de outro ativo, como uma moeda, uma taxa ou um índice.
Quatro termos que aparecem nas notícias de Bolsa e juros Definições segundo a B3
| Termo | O que é | Quem costuma usar |
|---|---|---|
| Dólar futuro | Contrato que fixa hoje o preço do dólar para uma data futura | Empresas com dívidas ou receitas em dólar, e investidores que apostam na moeda |
| DI e juros futuros (DI1) | Contrato sobre a taxa média DI, calculada pela B3 e cotada em taxa anual | Bancos, fundos e empresas, para proteger-se ou apostar na taxa |
| Ibovespa futuro | Contrato ligado ao índice de ações, cotado em pontos; cada ponto vale R$ 1,00 | Investidores que querem proteger ou apostar no mercado de ações |
| Circuit breaker | Pausa da negociação quando o Ibovespa cai 10%, 15% ou 20% | Não é um contrato: é uma regra da B3 para todo o mercado |
Fonte: B3 e Bora Investir, portal educativo da B3. Elaboração: redação.
Por que o futuro se mexe antes
Um contrato futuro tem preço para uma data de vencimento. Esse preço reflete o que os participantes esperam até lá. Quando chega uma notícia, quem negocia ajusta essas expectativas na hora. O efeito sobre crédito e preços costuma vir depois.
Nos contratos futuros, a margem de garantia é ajustada todo dia pelo preço de fechamento. Ganhos e perdas aparecem na conta do investidor a cada pregão, segundo a Bora Investir.
O que a alta da taxa DI significa
A taxa DI é a média dos juros das operações entre bancos, calculada pela B3. Segundo a InfoMoney, no fechamento de 26 de outubro, as taxas dos contratos de DI com vencimento entre 2029 e 2035 subiram entre 2,5 e 2,7 pontos percentuais. Ficaram perto de 15,2% ao ano. Um ponto percentual é a diferença entre duas taxas, não uma variação relativa.
A taxa básica de juros, a Selic, é definida pelo Copom, do Banco Central. Ela serve de referência para empréstimos e investimentos, segundo a Bora Investir. A subida na curva pode refletir expectativa de juros mais altos, mais risco, ou os dois. Os contratos, sozinhos, não dizem qual pesa mais.
Para o cidadão, o efeito aparece de três formas. No crédito, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros quando a taxa sobe. Na dívida pública, parte dos títulos do governo acompanha a Selic, e a conta de juros tende a crescer. Para quem tem dívida ou compra em dólar, a alta da moeda também encarece a conta.
O dólar e o circuit breaker
No mesmo pregão, o dólar também subiu forte, mas as reportagens não concordam no número. A InfoMoney informou R$ 5,403, com alta de 8,21%. A Gazeta do Povo registrou R$ 5,4232, com alta de 8,95%.
O circuit breaker segue três etapas. Uma queda de 10% do Ibovespa, em relação ao fechamento anterior, para a negociação por 30 minutos. Ao reabrir, uma queda de 15% gera nova pausa de 1 hora. Com queda de 20%, a B3 pode suspender os negócios pelo prazo que ela mesma definir.
O que diz a B3: Em sua página sobre o circuit breaker, a B3 afirma que uma queda de 10% do Ibovespa, em relação ao fechamento anterior, interrompe a negociação por 30 minutos. Com 20%, a B3 pode suspender os negócios pelo prazo que definir. A página está em inglês.
O que fica em aberto
Os números de 26 de outubro podem ser revistos. Os contratos mostram expectativas, e elas mudam em horas. Derivativos podem perder valor, e o prejuízo pode vir rápido. Em contratos futuros, o investidor pode perder mais do que depositou como garantia, segundo a Bora Investir.
Este texto explica mecanismos. Não é recomendação de investimento, e nenhum contrato tem retorno garantido.
Como fizemos: Definições e regras vêm de páginas da B3 e do portal Bora Investir, acessadas em 26 de outubro de 2026. A página do circuit breaker não traz data clara de atualização. Os números do dia vêm da InfoMoney, atualizada às 17h44, e da Gazeta do Povo, publicada às 18h. As taxas de DI e as variações em pontos percentuais são as informadas pela InfoMoney, sem cálculo próprio. Não consultamos a série oficial de câmbio e juros da B3 ou do Banco Central.
Fontes
- Circuit breaker — B3 (acesso em 26/10/2026)
- Entenda o que é e como funciona o circuit breaker — Bora Investir (B3), 7 de abril de 2025 (acesso em 26/10/2026)
- Futuro de Taxa Média de Depósitos Interfinanceiros de Um Dia (DI1) — B3 (acesso em 26/10/2026)
- Futuro de Ibovespa — B3 (acesso em 26/10/2026)
- Dólar futuro — Bora Investir (B3) (acesso em 26/10/2026)
- Derivativos — Bora Investir (B3) (acesso em 26/10/2026)
- Margem de garantia — Bora Investir (B3) (acesso em 26/10/2026)
- Taxa Selic — Bora Investir (B3) (acesso em 26/10/2026)
- Ibovespa desaba 13% após eleição, em dia de circuit breaker; dólar dispara 8% — InfoMoney, 26 de outubro de 2026 (acesso em 26/10/2026)
- Vitória de Lula provoca tombo histórico na Bolsa e faz dólar disparar — Gazeta do Povo, 26 de outubro de 2026 (acesso em 26/10/2026)



