Diversificar reduz o risco, mas não o elimina
Quedas da Americanas e da OGX mostram por que concentrar o dinheiro em uma ação é diferente de investir com carteira diversificada.
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- Sueli Neves
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Na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Foi a maior perda percentual do índice desde março de 2020, segundo a CNN Brasil.
O Ibovespa é o principal indicador das ações negociadas na B3, a bolsa brasileira. Ele é uma carteira teórica, criada em 1968 para medir o desempenho do mercado de ações. Este texto explica diversificação, prazo e a diferença entre investir e apostar em uma só empresa.
Quando uma só empresa derruba o investimento
Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas comunicou “inconsistências contábeis no valor de R$ 20 bilhões”. No dia seguinte, as ações caíram 77%, de R$ 12 para R$ 2,72, segundo a InfoMoney. Um ano depois, a queda acumulada era de 93%, pela mesma fonte.
Em 2013, a OGX, do empresário Eike Batista, pediu recuperação judicial em 30 de outubro. Segundo a Exame, a empresa declarou passivo consolidado de R$ 11,2 bilhões. No dia, as ações caíram 26%, para R$ 0,17.
Nesses dois casos, a ação era a aposta inteira. Um fato ruim atingiu todo o dinheiro investido nela. Esse é o risco de concentração.
Diversificar reduz o risco, mas não o elimina
Diversificar é espalhar o dinheiro entre ativos diferentes. Segundo a B3, isso evita que “a rentabilidade de todo o seu dinheiro fique exposta a apenas um tipo de risco”. Uma carteira bem diversificada elimina os efeitos dos riscos específicos de cada empresa.
Sobra o risco sistêmico, que atinge todos os ativos no mesmo sentido. A queda do Ibovespa em 26 de outubro atingiu o índice inteiro, não uma empresa. Por isso, diversificar não elimina o risco do mercado como um todo.
Conceitos básicos e seus limites Resumo; as definições estão nas fontes ao fim do texto
| Conceito | O que significa | Limite ou risco |
|---|---|---|
| Diversificação | Espalhar o dinheiro entre ativos diferentes | Reduz o risco de cada empresa, mas não elimina o risco do mercado |
| Concentração | Quase todo o dinheiro em uma única ação | Um fato ruim pode derrubar a ação em poucos dias, como a Americanas, que caiu 77% em um dia |
| Fundo de índice (ETF) | Fundo que busca acompanhar um índice | Sobe e cai junto com o índice que segue |
| Renda fixa | Retorno mais previsível, em alguns casos com prazo definido | Menor risco, mas não zero; bancos têm garantia do FGC só até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ |
| Renda variável | Retorno que depende do mercado, como o de ações | Pode render mais, mas também pode perder valor |
| Liquidez | Facilidade de transformar o investimento em dinheiro | Vender em um momento ruim pode significar prejuízo |
Fontes: B3 (Bora Investir), FGC, Renova Invest e InfoMoney, listadas abaixo.
Fundos, renda fixa e renda variável
Um fundo de índice, ou ETF (sigla em inglês para fundo negociado em bolsa), busca acompanhar um índice. O BOVA11 tem ações de mais de 60 empresas que compõem o Ibovespa, e sobe ou cai com ele, segundo a B3. O IVVB11 replica o S&P 500, índice de grandes empresas americanas, e é cotado em reais.
Segundo a B3, a renda fixa tem “maior previsibilidade do retorno e, em alguns casos, prazos definidos”. A renda variável, como as ações, “pode ter retorno maior, mas há também mais riscos”. O nome “fixo” também não garante o resultado final.
Nos bancos, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Acima desse valor, a garantia não existe.
Reserva antes, prazo depois
Antes de investir, a B3 diz que “cada pessoa descobre e define quanto deve manter em uma reserva de emergência (com liquidez imediata)”. Essa reserva serve para imprevistos. Sem ela, um gasto inesperado pode obrigar a vender investimentos no pior momento.
Um prazo longo dá mais tempo para uma carteira atravessar uma crise. Não garante retorno. Ações e fundos de índice podem perder valor. Um pânico pode se aprofundar depois de uma queda forte, e ninguém consegue prever o fundo do poço.
O que diz a B3: Em artigo do portal Bora Investir, a B3 afirma que “a diversificação não é capaz de eliminar todo o risco de um investimento”. O texto está publicado em borainvestir.b3.com.br.
O que isso significa
Diversificar e manter prazo longo reduzem riscos específicos de empresas, mas não eliminam quedas do mercado. Nenhum produto garante retorno. O que o Ibovespa fará nas próximas semanas ainda não se sabe.
Antes de qualquer decisão, vale formar a reserva, entender o produto e checar quem atua no mercado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém, no Portal do Investidor, uma consulta a profissionais de mercado.
Como fizemos: O fechamento do Ibovespa é da CNN Brasil, acessada em 26 de outubro de 2026. Outro veículo citou queda preliminar de 13,43%; usamos o número de fechamento informado pela CNN. A queda da Americanas, de R$ 12 para R$ 2,72, é nosso cálculo (77%). Não há projeção de preços nem recomendação de ativos.
Fontes
- Dólar sobe 8% e Bolsa tem maior queda desde a pandemia após vitória de Lula — CNN Brasil (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Americanas (AMER3): 7 questões um ano após a fraude bilionária e queda de 93% das ações — InfoMoney (acesso em 26 de outubro de 2026)
- OGX entra com pedido de recuperação judicial, diz fonte — Exame, 30 de outubro de 2013
- Diversificação de investimentos: por que é tão importante e como fazer — B3, Bora Investir (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Quais as diferenças entre renda fixa e variável? Entenda — B3, Bora Investir (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Ibovespa — B3 (acesso em 26 de outubro de 2026)
- IVVB11: Conheça o ETF que investe nos EUA — Renova Invest (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Fundo Garantidor de Créditos (FGC) (acesso em 26 de outubro de 2026)
- Portal do Investidor — CVM (acesso em 26 de outubro de 2026)



