Em três eleições, a urna eletrônica substituiu o voto em papel
De 57 cidades em 1996 à votação em todo o país em 2000: a história da urna eletrônica, do voto impresso de 2002 às auditorias de hoje.
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- Vitor Coelho
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No domingo, 25 de outubro, os eleitores voltam às urnas para o segundo turno de 2026. Eles vão votar em urnas eletrônicas, usadas desde 1996. Em três eleições, o equipamento substituiu o voto em papel em todo o país.
A primeira votação eletrônica do Brasil ocorreu em outubro de 1996, em 57 cidades. Cerca de 32 milhões de eleitores votaram nessas cidades, segundo dados citados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). A base legal foi a Lei 9.100, sancionada em 29 de setembro de 1995.
Da apuração manual à urna de 2000
Antes da urna, os votos eram contados à mão. Segundo a TNH1, a máquina buscava eliminar fraudes históricas da apuração manual. O modelo de 1996, chamado UE96, gravava os dados em disquetes.
Em 1998, a votação eletrônica chegou a 537 municípios, segundo o Canaltech. O salto final veio em 2000. O Poder360 registrou que as eleições municipais daquele ano foram “o 1º pleito 100% informatizado no Brasil”. Foram 353.780 urnas, para 109.780.071 eleitores aptos.
O voto impresso de 2002
Em 10 de janeiro de 2002, a Lei 10.408 acrescentou à Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) uma regra de impressão do voto. Pelo texto, a urna teria mecanismo “que permita a impressão do voto, sua conferência visual e depósito automático, sem contato manual, em local previamente lacrado”.
Em 2002, o sistema foi testado em 150 municípios, com mais de 7 milhões de eleitores, ou 6,18% do eleitorado, segundo o Poder360. O relatório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que a impressão “nada agregou em termos de segurança ou transparência”. O mesmo relatório apontou filas maiores e mais urnas com defeito.
Em 2003, a Lei 10.740 substituiu a impressão por um “registro digital do voto”, feito com assinatura digital. Uma checagem da Aos Fatos concluiu, em 2021, que o trecho da lei de 2002 sobre impressão não está mais em vigor.
O Supremo e a impressão
O Supremo Tribunal Federal (STF) barrou a impressão do voto duas vezes, em leis diferentes. Em 2013, o Plenário declarou inconstitucional o artigo 5º da Lei 12.034/2009, que criava o voto impresso a partir de 2014 (ADI 4543). A relatora, ministra Cármen Lúcia, entendeu que a norma comprometia o sigilo do voto.
Em 2015, a Lei 13.165 incluiu na Lei das Eleições o artigo 59-A, que exigia a impressão do registro de cada voto. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acionou o STF (ADI 5889). O tribunal suspendeu a regra em 2018 e, em 14 de setembro de 2020, julgou a ação procedente, por maioria.
Como a urna é conferida hoje
Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim de urna (BU) com o resultado daquela seção. O boletim fica exposto no local de votação, e pode ser fotografado e comparado com os registros da Justiça Eleitoral. Só depois os dados são enviados para totalização.
Há ainda testes públicos. O Teste Público de Segurança convida especialistas externos a procurar falhas, segundo o TSE. O Teste de Integridade compara votos de cédulas de papel, preenchidas em cerimônia, com os registros de urnas sorteadas. Em 2026, a Justiça Eleitoral aplicou esse teste no primeiro turno.
O que diz o TSE: “A urna eletrônica fica completamente fora da internet antes e durante a eleição.” A frase foi publicada pelo Poder360 em 1º de agosto de 2021, ao explicar o boletim impresso.
O que isso significa
Em 1996, a urna estreou em 57 cidades. Em 2000, passou a cobrir todo o país. O voto impresso foi testado em 2002, substituído por registro digital em 2003 e barrado pelo STF em 2013 e em 2020.
O debate sobre auditoria segue aberto. Quem quiser conferir pode comparar o boletim da própria seção com os totais publicados pela Justiça Eleitoral.
Como fizemos: Lemos o texto da Lei 10.408/2002 no portal da Câmara dos Deputados, e a ementa da Lei 10.740/2003 no Legisweb, acessados em 23 de outubro de 2026. Os números de 1996, 1998, 2000 e 2002 vêm de reportagens e de resumos de páginas do TSE, que não puderam ser lidas diretamente. Não há cálculo próprio. O texto da Lei 9.100/1995 não pôde ser lido, e sua data vem do título do arquivo e de reportagens.
Fontes
- Cara de micro-ondas? Conheça a história da primeira urna eletrônica usada em 1996 — TNH1 (acesso em 23/10/2026)
- Quando o Brasil começou a usar urna eletrônica — Canaltech (acesso em 23/10/2026)
- Conheça a evolução da urna eletrônica de 1996 a 2024 — TSE (acesso em 23/10/2026)
- Urna eletrônica de 2000 permitiu a 1ª eleição 100% informatizada — Poder360 (acesso em 23/10/2026)
- Defendido por Bolsonaro, voto impresso causou filas e urnas quebradas em 2002 — Poder360 (acesso em 23/10/2026)
- Lei nº 10.408, de 10 de janeiro de 2002 — Câmara dos Deputados (acesso em 23/10/2026)
- Lei nº 10.740, de 1º de outubro de 2003 — Legisweb (acesso em 23/10/2026)
- Lei nº 9.100, de 29 de setembro de 1995 — Câmara dos Deputados (acesso em 23/10/2026)
- Norma que institui voto impresso a partir de 2014 é inconstitucional, decide STF — Rota Jurídica (acesso em 23/10/2026)
- Supremo confirma liminar e impede volta do voto impresso — Consultor Jurídico (acesso em 23/10/2026)
- Trecho de lei de 2002 que determinava impressão do voto não está mais em vigor — Aos Fatos (acesso em 23/10/2026)
- Como funciona o boletim de urna impresso quando a eleição acaba — Poder360 (acesso em 23/10/2026)
- Eleições 2026: teste de integridade confirma pleno funcionamento das urnas eletrônicas — TRE-SP (acesso em 23/10/2026)
- Urna eletrônica brasileira UE2020 — Wikimedia Commons (domínio público) (acesso em 23/10/2026)



