Civismo

Quatro decisões do TSE mandaram remover posts dos dois lados

Duas decisões atingiram publicações de Flávio contra Lula; as outras duas removeram posts que ligavam Flávio ao crime organizado.

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Prédio da sede do Tribunal Superior Eleitoral, projeto de Oscar Niemeyer, em Brasília
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), projeto de Oscar Niemeyer, em Brasília (foto de arquivo, dezembro de 2025).Foto: Luiz Roberto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 8 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou Flávio Bolsonaro (PL) apagar três publicações de sua conta na rede X. A decisão foi unânime. Uma delas mostrava uma imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva feita com inteligência artificial (IA), sem o aviso exigido. As outras duas ligavam Lula ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), sem base factual, segundo o tribunal.

Quatro decisões do TSE entre junho e outubro de 2026 tratam do mesmo tipo de caso: ligar um candidato a uma facção criminosa. Juntas, elas permitem testar se a mesma régua vale para os dois lados da disputa presidencial. A resposta é que o tribunal removeu publicações dos dois lados, mas a votação dividiu os ministros em um dos casos.

O TSE nasceu com o Código Eleitoral de 1932, que também garantiu o voto feminino. Em propaganda eleitoral, o artigo 9º-B da Resolução 23.610/2019 exige aviso claro quando há conteúdo feito com IA. Criticar um político é permitido. Já acusar alguém de ligação com facção exige base factual mínima, segundo o tribunal.

Um critério, dois fundamentos

No caso de 8 de outubro, o relator, ministro André Mendonça, apontou dois problemas. O primeiro foi a falta de aviso sobre o uso de IA. O segundo foi a acusação sem lastro: ligar Lula ao crime organizado sem base factual “ultrapassa os limites da crítica política”, afirmou ele, segundo a CNN Brasil.

O mesmo critério apareceu em outros casos. Em 22 de junho, a ministra Estela Aranha mandou remover publicações de perfis ligados ao PT que associavam Flávio ao CV e à Operação Unha e Carne. A decisão foi liminar, ou seja, provisória, e atendeu a um pedido do PL.

Em 15 de outubro, o plenário confirmou por unanimidade a remoção de um post no Instagram, de outro usuário, que ligava Flávio ao CV. O advogado do PL disse na sessão que o inquérito ligado àquele caso foi arquivado em 2022.

Quatro casos, dois lados

A tabela 1 resume os quatro casos. Duas decisões protegeram Flávio e duas atingiram publicações dele, então a contagem é simétrica. A votação, porém, não é: só as de 8 e 15 de outubro foram unânimes. Em 26 de julho, o presidente do TSE, Nunes Marques, negou a retirada de um vídeo de Flávio sobre Lula. Em agosto, o plenário virtual mandou remover o vídeo por 5 votos a 2, e Nunes Marques e Mendonça votaram para mantê-lo.

Duas decisões removeram posts que ligavam Lula a facções; outras duas, Flávio Decisões do TSE sobre publicações que ligam candidatos a facções criminosas, junho a outubro de 2026

Data Publicação removida Ligado a facção Votação
22/6 Posts de perfis ligados ao PT Flávio Liminar, decisão provisória
Agosto Vídeo da campanha de Flávio Lula 5 a 2, plenário virtual
8/10 Três posts de Flávio, um com imagem de IA Lula Unânime
15/10 Post no Instagram de outro usuário Flávio Unânime

Fonte: TSE; CNN Brasil; Portal Tela; Diário de Pernambuco. Elaboração: redação.

O que ainda está em aberto

Em 15 de outubro, a Polícia Federal (PF) prendeu o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), na 8ª fase da Operação Unha e Carne. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), segue preso desde março, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois são investigados e não foram condenados, segundo as reportagens consultadas.

Em 16 de outubro, Flávio disse à TV Globo que se surpreendeu com as prisões. Ele afirmou que quem tem envolvimento comprovado com PCC ou CV “tem que pagar dentro da lei”. Até o fechamento desta análise, não localizamos manifestação dele sobre a decisão de 8 de outubro.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, ele disse que quem tem envolvimento comprovado com PCC ou CV “tem que pagar dentro da lei”, segundo o Metrópoles. Sobre a decisão do TSE de 8 de outubro, a reportagem não localizou manifestação dele nem do PL nas fontes consultadas.

O que isso significa

Os quatro casos mostram um critério comum: publicações que ligam candidatos a facções, sem base factual, passam dos limites da crítica política. O tribunal aplicou esse critério a posts de Flávio e a posts sobre ele. A divisão nos votos, porém, mostra que a decisão nem sempre é automática.

O PT também acionou o TSE contra outro vídeo de Flávio, feito com IA, que mostra embarcações rotuladas PCC e CV. Não há decisão sobre esse pedido nas fontes consultadas. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro.

Como fizemos: Reunimos quatro decisões do TSE, de junho a outubro de 2026, sobre publicações que ligam candidatos a facções criminosas, com base em comunicados do tribunal e em reportagens acessadas em 21 de outubro de 2026. A tabela compara data, alvo e tipo de votação, não o mérito dos processos. A lista não é completa: cobre só os casos publicados pela imprensa, e não foi possível abrir os textos integrais das decisões. Uma reportagem data a decisão de junho em 23 de junho; usamos 22, a data mais citada.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que todo conteúdo político feito com IA precisava de aviso. A exigência do artigo 9º-B da Resolução 23.610/2019 vale para a propaganda eleitoral.

Fontes

Temas

  • TSE
  • Eleições 2026
  • Justiça Eleitoral
  • Inteligência Artificial
  • Desinformação

Sueli Neves

Repórter de Educação

Cobre educação para o Revista 7 de Setembro.

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