Após o 2º turno, Flávio, Eduardo e Nikolas espalharam tese de fraude
Lupa e Aos Fatos checaram a prorrogação da votação e a sala-cofre do TSE; as duas alegações não se sustentaram nos fatos apurados.
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- Vitor Coelho
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Na noite de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que é “impossível reconhecer o resultado” da eleição. Lula venceu o segundo turno por mais de 4,4 milhões de votos, segundo a Agência Brasil. Em poucas horas, aliados, parlamentares e perfis nas redes repetiram a tese de fraude.
Duas alegações ganharam força. A primeira diz que a prorrogação da votação, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, beneficiou só o PT. A segunda diz que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), área fechada ao público da Justiça Eleitoral.
A prorrogação levou a votação até as 19h, para as seções que ainda estavam abertas. Em nota, Zanin afirmou que “as duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores”.
Quem levantou a tese
Flávio disse que a equipe jurídica vai “pedir a anulação dessas eleições”, segundo a Agência Brasil. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo no Instagram. Nele, disse que o ministro decidiu “faltando minutos pra poder encerrar a votação”, segundo transcrição da Lupa.
Na segunda-feira (26), Nikolas disse que a chance de anulação é “praticamente nula” e pediu cautela. “Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem para a rua no calor da emoção. Não façam isso”, afirmou, segundo o SP Diário.
Eduardo Bolsonaro publicou no X um vídeo em inglês. Na tradução do Poder360, ele pede que estrangeiros “não reconheçam estas eleições” e diz que a votação “foi claramente fraudulenta”, sem apresentar provas. Sebastião Coelho, ex-candidato ao Senado pelo Novo no Distrito Federal e desembargador aposentado, afirmou em redes sociais que “Isso é uma grande fraude”. Segundo o NDMais, ele não apresentou provas.
Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, citado pelo Aos Fatos, diz que a tese chegou a ser compartilhada por mais de dez parlamentares. A checagem não os nomeia. Um vídeo que dizia mostrar Flávio chorando após a derrota somava, até a tarde de segunda-feira (26), ao menos 90 mil curtidas no Instagram e 150 mil visualizações no X. Segundo o Aos Fatos, a gravação é de 22 de outubro, quando ele assistia ao último programa eleitoral.
O que as checagens encontraram
A sala-cofre não é aberta à visitação. O TSE disse que “todas as demais unidades e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos”, segundo a Lupa. Dois fiscais do PL acompanharam o Teste de Integridade das Urnas e a totalização, e visitaram a Sala dos Partidos Políticos, informou o tribunal. A Lupa classificou a alegação como FALSO.
Sobre a prorrogação, os horários são disputados. Flávio disse que a decisão veio às 17h01. A Lupa diz que o STF soube do pedido do PT às 16h32 e que não está claro quando a decisão foi formalizada. O Aos Fatos cita uma primeira ordem de Zanin às 17h03.
A Lupa também registrou que a campanha de Flávio pediu ao TSE, às 15h27, mais tempo de votação em 17 cidades, por causa da chuva. O Aos Fatos cita um segundo pedido do PL, às 15h42. Nikolas, segundo a Lupa, não mencionou esse pedido. Em Salvador, a Secretaria de Mobilidade confirmou ao menos 75 ônibus nas garagens no dia da votação.
O que diz Flávio Bolsonaro: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, disse ele em Brasília, segundo a Agência Brasil. Até o fechamento desta versão, não encontramos resposta dele às checagens.
O que está em aberto
O pedido de anulação foi anunciado, mas não localizamos registro de protocolo no TSE. Segundo o Poder360, a campanha de Flávio desistiu dele, por enquanto, e prepara uma ação para cassar a chapa de Lula. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, disse ter “absoluta segurança do processo eleitoral”, segundo o Poder360.
Antes do segundo turno, um estudo do NetLab da UFRJ analisou 2.326 anúncios sobre o processo eleitoral veiculados na Meta. Desse total, 68,1% atacavam instituições ou levantavam suspeitas. O período analisado vai de 16 de agosto a 16 de setembro, antes da votação.
Como fizemos: Reunimos declarações e checagens publicadas em 25 e 26 de outubro de 2026, acessadas no mesmo dia: Agência Brasil, Aos Fatos, Lupa, Gazeta do Povo, Poder360, NDMais e SP Diário. Os horários vêm dessas reportagens; o site do TSE não abriu para nós, e a cronologia não foi conferida em documento oficial. Não encontramos checagens publicadas do Comprova e do Estadão Verifica sobre estes fatos, nem informação pública sobre a atuação do CIEDDE nesses dois dias. O estudo do NetLab, publicado antes do segundo turno, serve só de contexto.
Fontes
- Flávio não reconhece vitória de Lula e tentará anulação do pleito — Agência Brasil (acesso em 26/10/2026)
- Derrotado, Flávio mente ao sugerir que eleição foi fraudada — Aos Fatos (acesso em 26/10/2026)
- Vídeo que mostra Flávio chorando não foi gravado após derrota — Aos Fatos (acesso em 26/10/2026)
- Em vídeo que sugere fraude, Nikolas Ferreira omite problemas reais no transporte — Lupa (acesso em 26/10/2026)
- TSE desmente que fiscais do PL tenham sido retirados de sala-cofre — Lupa (acesso em 26/10/2026)
- TSE responde Flávio e diz que fiscais não foram retirados da sala-cofre — Gazeta do Povo (acesso em 26/10/2026)
- Eduardo Bolsonaro pede que estrangeiros não reconheçam eleição — Poder360 (acesso em 26/10/2026)
- Desembargador aposentado diz que decisão de Zanin pode “anular o segundo turno” — NDMais (acesso em 26/10/2026)
- Nikolas Ferreira considera “praticamente nula” a chance de anulação — SP Diário (acesso em 26/10/2026)
- Eleições: quase 70% dos anúncios na Meta atacam instituições — Revista Fórum, com dados do NetLab/UFRJ (acesso em 26/10/2026)
- Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 26/10/2026)


