Civismo

TSE nega que fiscais do PL tenham sido retirados da sala-cofre

Cada urna imprime um boletim com seus votos. O TSE diz que a sala-cofre não recebe visitas e que dois fiscais do PL estiveram no tribunal.

Publicado em
Leitura
5 min de leitura
Urna eletrônica modelo UE2020, com tela, teclado numérico e teclas Branco, Corrige e Confirma, sobre um pedestal branco
Urna eletrônica modelo UE2020, com o logo da Justiça Eleitoral. Ao fim da votação, cada urna imprime um Boletim de Urna.Foto: Antonio Augusto / Secom-TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo, 25 de outubro de 2026, Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos, segundo a Bloomberg Línea. Na mesma noite, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), disse que é impossível reconhecer o resultado. Ele afirmou que fiscais do partido foram retirados da sala-cofre do tribunal.

Uma eleição se confere com registros. Veja o que a urna deixa para checagem e o que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu.

O que cada urna deixa para conferir

Ao fim da votação, cada urna eletrônica imprime um Boletim de Urna (BU). O documento traz o total de votos da urna, os votos de cada candidato, os brancos e os nulos. Segundo a Agência Brasil, ele é impresso em cinco vias, afixadas em local visível pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) nas próprias seções.

Cada BU traz um QR Code. Com o aplicativo Boletim na Mão, o eleitor lê o código e compara os dados com os publicados em resultados.tse.jus.br. Michel Kovacs, secretário de tecnologia do TRE-RJ, disse que o eleitor pode “ser um fiscal da eleição”, porque a totalização é a soma dos boletins.

Segundo o Poder360, a auditoria do TSE compara o boletim impresso com o recebido pelo sistema de totalização. O Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo que guarda cada voto sem identificar o eleitor, também serve a auditorias e recontagens.

Antes da votação: lacre, teste e código

Em 4 de setembro, o TSE concluiu a assinatura digital e o lacre dos sistemas. Segundo O Liberal, os programas foram lacrados nos formatos digital e físico. A cópia física foi guardada na sala-cofre, o cofre do tribunal onde ficam as mídias.

Os fiscais dos partidos podem acompanhar o Teste de Integridade. Nele, votos simulados com cédulas de papel são digitados na urna e comparados com os registros manuais, segundo o Poder360. Representantes técnicos dos partidos também podem examinar o código-fonte, o texto do programa, segundo a Politize.

Etapa Para que serve Quem pode conferir
Boletim de Urna Total de votos de cada urna Fiscais e qualquer eleitor, pelo QR Code
Lacre dos sistemas Impede mudanças no programa Entidades fiscalizadoras
Teste de Integridade Compara votos simulados com a urna Fiscais de partidos, segundo o TSE
Código-fonte Texto do programa Técnicos de partidos, em cerimônia

Fonte: Agência Brasil, Poder360, O Liberal e Politize. Elaboração: redação.

A alegação do PL e a resposta do TSE

Flávio Bolsonaro disse: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”. A fala, transcrita pela Gazeta do Povo, foi feita por volta das 22h40 de domingo. Sobre os fiscais, ele afirmou: “os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada”.

Ele também criticou a prorrogação da votação até as 19h, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Em nota, segundo a Agência Brasil, Zanin disse que as duas candidaturas alegaram problemas no transporte de eleitores; a extensão valeu só para seções ainda abertas. Sobre a anulação, disse: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”.

O TSE respondeu na noite de domingo, em nota. Segundo o Estadão, a instituição escreveu que “a afirmação é falsa”. O texto também diz que “a sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação”.

A resposta trata de três pontos. Primeiro, a sala-cofre é fechada a visitas. Segundo, dois fiscais do PL estiveram no tribunal no domingo, para o teste, a totalização e a Sala dos Partidos Políticos, no quinto andar. Terceiro, o TSE diz que “há registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização”. Nas reportagens consultadas, a alegação não vem com documento público que a confirme.

O direito do partido de conferir

Segundo o TSE, fiscais de partidos podem visitar todas as áreas do tribunal, exceto a sala-cofre. Qualquer eleitor, por sua vez, pode conferir os boletins pelo QR Code.

O que diz o TSE: Em nota na noite de domingo (25), o tribunal afirmou que a alegação “é falsa”. Segundo a CNN Brasil, a nota cita registros de presença e filmagem da Sala de Totalização. O PL não apresentou, nas reportagens consultadas, prova da retirada.

O que fica em aberto

Na segunda-feira (26), segundo o Poder360, a campanha de Flávio desistiu, por enquanto, de pedir a anulação e prepara uma ação de cassação da chapa de Lula, por suposto abuso de poder econômico. Se for apresentada, caberá à Justiça Eleitoral analisá-la com base nas provas.

Desconfiar do resultado é direito de quem perdeu. Mas, para a Justiça Eleitoral, a prova precisa ser documento, e os boletins estão à vista de todos.

Como fizemos: Usamos reportagens de 25 e 26 de outubro de 2026 (Metrópoles, CNN Brasil, Estadão via InfoMoney, Bloomberg Línea e Gazeta do Povo), e de 4 de outubro e 4 de setembro de 2026 (Agência Brasil, Poder360 e O Liberal), acessadas em 26 de outubro de 2026. Os sites do TSE não puderam ser abertos, então as posições do tribunal vêm das notas citadas pela imprensa. Não incluímos os totais absolutos de votos, que não conferimos. Os registros de log da urna ficaram fora, por falta de fonte verificada para 2026.

Fontes

Temas

  • Boletim de Urna
  • Fiscais de Partidos
  • Tribunal Superior Eleitoral
  • Eleições 2026

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.