Civismo

Aos 81, Lula pede pacificação e critica saída atribuída a Flávio

No Alvorada, presidente relembrou três derrotas, defendeu convivência após o voto e criticou o rival; saída dele do Brasil ainda não tinha confirmação oficial.

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Lula e Geraldo Alckmin erguem as mãos unidas entre apoiadores e uma bandeira do Brasil
Lula e o vice Geraldo Alckmin durante o discurso de reeleição, em São Paulo, em 25 de outubro de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Lula chegou por volta das 18h desta terça-feira (27) à comemoração de seus 81 anos, junto ao espelho d’água do Palácio da Alvorada. Centenas de pessoas estavam reunidas no local, segundo o UOL. A festa ocorreu dois dias depois de sua reeleição.

No discurso, o presidente pediu pacificação e criticou a saída do país atribuída a Flávio Bolsonaro pela imprensa. Até o fechamento desta atualização, a Polícia Federal (PF) ainda investigava a possível viagem, sem confirmação oficial do paradeiro.

Três derrotas e uma comparação

Lula relembrou as derrotas para Fernando Collor e, duas vezes, para Fernando Henrique Cardoso. Disse que permaneceu no Brasil depois desses resultados. “Quem não deve não teme”, afirmou ao criticar o adversário de 2026.

Os registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmam os três pleitos citados. A primeira derrota ocorreu em 1989, há 37 anos. As outras foram em 1994 e 1998, antes da primeira vitória presidencial de Lula em 2002.

A trajetória eleitoral usada por Lula no discurso

Disputas presidenciais citadas no Alvorada e resultado de 2026

Ano Adversário vencedor Resultado para Lula
1989 Fernando Collor Derrota no segundo turno
1994 Fernando Henrique Cardoso Derrota no primeiro turno
1998 Fernando Henrique Cardoso Derrota no primeiro turno
2026 — Reeleição para o quarto mandato

Fonte: TSE e UOL. Elaboração: redação.

A comparação dá dimensão histórica à fala. Entre a primeira derrota e a comemoração desta terça passaram-se 37 anos. O intervalo liga a experiência de quatro disputas presidenciais citadas ou celebradas no discurso desta terça.

Pacificação e crítica ao rival

O presidente também defendeu a convivência depois da votação. “Temos a obrigação de fazer com que as pessoas aprendam que ninguém é inimigo de ninguém na democracia”, declarou. Em seguida, afirmou: “Pai não precisa brigar com o filho por causa do voto.”

Lula disse ter se emocionado com eleitores idosos carregados no colo para votar. Para ele, foi “a imagem mais forte e mais humana” vista em uma eleição. Também afirmou que essas pessoas mostraram que “o Brasil não é quintal de ninguém”.

Ao lado da defesa da pacificação, fez acusações políticas ao rival. Chamou de “vergonhoso” o ato de sair do Brasil atribuído a Flávio. Essa crítica partiu de uma informação ainda não confirmada oficialmente, embora Reuters e The New York Times a tivessem publicado com base em fontes anônimas.

O Aos Fatos informou que não havia prova da saída até sua última atualização. A PF não localizou registros da passagem por pontos regulares da fronteira, e autoridades argentinas negaram registro de entrada. Investigar a informação não equivale a confirmá-la.

Lula ainda criticou a Meta e os Estados Unidos, aos quais atribuiu interferência nas eleições, segundo o UOL. A fala integra sua avaliação política da disputa. O artigo não apresenta essa acusação como fato comprovado.

O que diz Flávio Bolsonaro: em vídeo divulgado na segunda-feira (26), ele negou que fosse deixar o Brasil, segundo o Aos Fatos. Não localizamos manifestação pública específica sobre o discurso de Lula até as 19h desta terça.

O que fica do discurso

O pronunciamento reuniu dois movimentos: defender a convivência democrática e responsabilizar o adversário pela suposta saída. O primeiro tema está documentado nas falas sobre família e voto. O segundo depende de uma apuração ainda aberta.

A confirmação do paradeiro de Flávio cabe às autoridades que investigam o caso. O que já está registrado é a posição de Lula no primeiro discurso de aniversário depois da reeleição, marcado pela defesa da pacificação e por críticas duras ao rival.

Como fizemos: Conferimos o discurso no UOL, publicado às 18h28, e a situação da possível viagem no Aos Fatos, em 27 de outubro de 2026. Os anos e vencedores de 1989, 1994, 1998 e 2002 foram confrontados com a tabela histórica do TSE. Calculamos 37 anos subtraindo 1989 de 2026. Não contamos a celebração como prova da saída de Flávio.

Fontes