Opinião

Aliados de Flávio são acusados de vínculos com o CV; ele diz surpresa

A PF acusa Rodrigo Bacellar e Márcio Canella; não há prova de elo pessoal de Flávio, e o TSE mandou retirar posts sem base factual.

OpiniãoEste é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista 7 de Setembro.

Publicado em
Leitura
3 min de leitura
Flávio Bolsonaro fala a jornalistas no Senado
A relação política de Flávio com aliados acusados pela PF exige distinção entre apoio e prova pessoal.Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a retirada de uma publicação que associava Flávio Bolsonaro ao Comando Vermelho (CV). A decisão apontou falta de base factual. Uma semana antes, o mesmo tribunal havia mandado remover posts de Flávio que ligavam Lula ao CV e ao Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo mesmo motivo.

O registro impõe um limite que a direita de lei e ordem deveria respeitar. Não existe prova documentada de elo pessoal entre Flávio e o CV. Existe, sim, uma rede de aliados que ele apoiou e que a Polícia Federal (PF) acusa de vínculos com a facção.

Dois aliados, duas acusações

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, foi indiciado pela PF por suspeita de vazar informações da Operação Zargun. O relatório final da polícia afirma que ele exerceria liderança no “núcleo político” do CV. Bacellar foi preso novamente em março de 2026, e seus advogados chamam a medida de arbitrária.

Flávio havia sinalizado apoio a Bacellar como sucessor de Cláudio Castro e o PL o considerava candidato ao governo do Rio. Apoio político não prova participação em crime, mas cria uma obrigação de critério: quem promete limpar a política precisa explicar por que escolheu aquele aliado.

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado eleito, foi preso pela PF em 15 de outubro. A investigação atribui a um grupo ligado a ele lavagem de cerca de R$ 7,6 bilhões por postos de combustíveis e negociações com líderes do CV. Não há condenação, e o dossiê registra que não foi localizada defesa pública de Canella.

Em abril, Flávio declarou “apoio integral, 100%” a Canella para o Senado. A mãe do senador, Rogéria Bolsonaro, chegou a ser anunciada como suplente antes de retirar o nome. A proximidade política está documentada; a imputação criminal continua sendo da PF.

O que é fato e o que é acusação

Ponto Registro Status
Bacellar PF o acusa de vazar operação ao CV Investigado e indiciado, sem condenação
Canella PF investiga lavagem e acordos com o CV Preso, sem condenação
Flávio Apoio político aos dois Sem prova de elo pessoal com o CV
Posts eleitorais TSE mandou retirar publicações dos dois lados Decisões sobre base factual

Fonte: PF, TSE, CNN Brasil, Poder360 e Metrópoles, citados no dossiê. Elaboração: redação.

O padrão que vale para todos

Em 16 de outubro, Flávio disse ter sido surpreendido pelas prisões e afirmou que os acusados têm direito de defesa. Disse também que qualquer pessoa com vínculos comprovados com PCC ou CV deve pagar “dentro da lei”. A frase reconhece a presunção de inocência, mas não responde por que o apoio político foi tão explícito.

O TSE não proibiu críticas a facções. Impediu que uma associação pessoal fosse apresentada como fato sem prova. O mesmo padrão vale quando a campanha de Flávio publica acusações contra adversários. A democracia eleitoral perde quando um rótulo substitui investigação.

O que diz Flávio Bolsonaro: Segundo o Metrópoles, ele declarou surpresa com as prisões, defendeu o direito de defesa e disse que pessoas com vínculos comprovados com as facções devem responder “dentro da lei”.

A direita pode exigir segurança sem abandonar o método. “Aliados de Flávio acusados pela PF” é uma frase sustentada pelo registro. “Flávio ligado ao CV” vai além dele. No segundo turno, a escolha é também entre uma política de segurança baseada em prova e uma campanha que transforma associação em sentença.

Como fizemos: Reconstituímos os fatos da seção 11 do dossiê, com links acessados em 21 de outubro de 2026. Mantivemos “acusado”, “investigado” e “indiciado” conforme o estágio descrito pelas fontes. A tabela separa relações políticas documentadas de alegações policiais e não afirma vínculo pessoal de Flávio com o CV.

Fontes

Temas

  • Opinião
  • Falsa Direita
  • Comando Vermelho
  • Lei e Ordem

Wesley Viana

Editor de Opinião

Edita os textos de opinião e cuida da identificação clara de cada autor.

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.