Opinião

Sem cronologia, o aluno não entende a história do Brasil

Saber o que veio antes e o que veio depois não é decoreba: é o que permite ao estudante ligar causas e consequências nos fatos da história.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista 7 de Setembro.

Ilustração abstrata em estilo de gravura, com rosácea de linhas douradas finas sobre fundo vinho
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Entre a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, e o 7 de setembro de 1822, passaram-se 14 anos. Quem não sabe disso dificilmente entende por que a Independência aconteceu. Quem sabe tem nas mãos a primeira peça de uma explicação.

Basta seguir a ordem dos fatos. Em 1808, o Rio de Janeiro virou sede da Coroa. Em 1815, o Brasil foi elevado a Reino Unido a Portugal e Algarves.

Em 1820, uma revolução liberal no Porto levou as Cortes portuguesas a exigir a volta do rei, que embarcou em 1821. Logo depois, as mesmas Cortes tentaram reduzir a autonomia brasileira. Em 1822, o príncipe regente rompeu.

O esqueleto da história

Essa sequência não é decoreba. Decoreba é saber datas soltas, sem relação entre elas. Cronologia é saber o que veio antes e o que veio depois. É essa ordem que permite perguntar: isso causou aquilo?

Sem a sequência, a história vira um conjunto de temas bonitos e desligados. O aluno pode debater escravidão, trabalho ou poder com boa vontade. Mas, se não sabe que a Lei Áurea veio depois da Independência, e a República logo depois da Abolição, perde as conexões que explicam o país.

A cronologia é o esqueleto. Os temas, as fontes e as interpretações são a carne. Um corpo sem esqueleto não fica de pé.

O que dizem as normas

A própria legislação não opõe uma coisa à outra. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) manda que o ensino de História do Brasil considere as contribuições das matrizes indígena, africana e europeia. Nada nisso exige abandonar a ordem dos acontecimentos.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define o que todo aluno deve aprender, organiza a História dos anos finais em unidades temáticas. Mesmo assim, essas unidades avançam no tempo, do mundo antigo no 6º ano ao século 20 no 9º ano. É um sinal de que temas e cronologia podem caminhar juntos.

O que defendo

Não se trata de voltar às listas de reis e batalhas. Trata-se de garantir que todo aluno saia da escola com uma linha do tempo básica do Brasil na cabeça. Colônia, Império e República, nessa ordem, com os marcos principais de cada período.

Uma linha do tempo na parede da sala custa pouco. Pedir ao aluno que situe cada novo assunto nela custa menos ainda. O ganho é enorme: cada tema passa a ter um lugar, e cada lugar ajuda a entender o próximo.

O que dizem os defensores do ensino por temas: Para essa corrente, organizar a História por eixos temáticos, como propuseram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) no fim dos anos 1990, aproxima o passado das perguntas do aluno. Comparar formas de trabalho ou de poder em épocas diferentes ensinaria a pensar historicamente, em vez de seguir uma narrativa linear. Eles também criticam a cronologia tradicional por girar em torno da história europeia.

Os críticos acertam ao combater a memorização vazia. Mas a resposta à má cronologia é uma cronologia melhor, não a ausência dela. Sem saber o que veio antes, ninguém entende o que veio depois.

Fontes

Temas

  • Ensino de História
  • Cronologia
  • Educação
  • Independência do Brasil

Nome do Colunista

Colunista (perfil provisório)

Perfil provisório de colunista da seção Opinião. Os artigos assinados refletem as ideias do autor. Substitua antes do lançamento.

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.