Memória

Reforma do Museu Histórico de Guajará-Mirim encontra trilhos antigos

Obra no museu instalado na antiga estação da Madeira-Mamoré avança e revela trilhos soterrados; a reforma integra programa ligado à usina de Jirau.

Publicado em
Leitura
4 min de leitura
Ilustração abstrata em um só tom de verde, sem pessoas, prédios ou lugares reais
Imagem provisória: nenhuma foto licenciada do museu ou dos trilhos foi localizada.Ilustração: Imagem provisória

Os trabalhos de reforma do Museu Histórico de Guajará-Mirim, em Rondônia, encontraram trilhos antigos soterrados. A informação foi publicada pelo Rondoniaovivo em 26 de outubro de 2026. Segundo a reportagem, a obra avança depois de anos de espera.

A reportagem, porém, não informa quanto custa a reforma, quem a executa nem quando ela termina. O achado chega a um prédio cujo estado e cuja responsabilidade já foram questionados.

A estação e a ferrovia

O museu ocupa o prédio da antiga estação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), que liga Porto Velho a Guajará-Mirim em 366 km, segundo o Ministério Público Federal (MPF). A estação reabriu como museu em 1992, depois de décadas fechada, segundo o Portal Amazônia.

A ferrovia nasceu de um acordo. Pelo Tratado de Petrópolis, de 1903, a Bolívia cedeu o Acre ao Brasil em troca de compensações. O Brasil se comprometeu a construir uma linha para contornar as cachoeiras do rio Madeira. As obras foram de 1907 a 1912. Depois que a BR-364 ficou pronta, em 1972, a ferrovia foi abandonada, segundo a Wikipedia em inglês.

Em agosto de 2024, uma coluna do Portal Amazônia afirmou que o museu estava fechado ao público havia pelo menos quatro anos. Segundo o texto, o telhado estava desabando e parte do acervo havia sumido ou se deteriorado.

De quem é o prédio?

Segundo a mesma coluna, a prefeitura diz que o prédio pertence à União e nunca foi transferido ao município. O texto acrescenta que a cidade não tinha projeto pendente no governo federal para resolver o problema.

A proteção oficial da ferrovia também está em disputa. Em 28 de outubro de 2025, o MPF entrou com ação para que Rondônia conclua o tombamento definitivo da EFMM, ou seja, o ato formal de proteção do patrimônio. Segundo o órgão, a proteção dada pela Constituição estadual, em 1989, é apenas provisória. A ação pede um plano conjunto de proteção do estado, da União e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Pede também pelo menos R$ 6 milhões em danos morais coletivos. Não encontramos decisão da Justiça sobre o caso.

As fontes também divergem sobre o prédio da estação. A coluna diz que o Iphan o tombou em 2006. A nota do MPF cita a Portaria 231/2007, do Iphan. Ela protegeu parte do pátio, os trilhos, as Três Caixas d’Água e o Cemitério da Candelária. A nota não menciona a estação de Guajará-Mirim.

Quem paga a reforma?

A reportagem diz que a obra integra o Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural da Usina Hidrelétrica Jirau. Esse programa está ligado ao licenciamento ambiental federal da usina, e o texto cita o Iphan e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A reportagem não cita a empresa nem o valor investido.

Há um caso parecido na região. Em 23 de abril de 2026, a Jirau Energia e a Universidade Federal de Rondônia (Unir) inauguraram um espaço com 16 blocos de gravuras rupestres, em cerca de 350 m². Segundo o Portal Amazônia, a estrutura é medida compensatória do mesmo programa.

Em Porto Velho, outro trecho da EFMM recebeu obras pagas pela Usina Santo Antônio como compensação social. Segundo reportagem de 2022 do Portal Amazônia, a primeira fase somou mais de R$ 23 milhões.

O que diz o Iphan: A reportagem sobre Guajará-Mirim não traz posição do Iphan, do Ibama ou da Jirau Energia sobre a obra. Em abril, o Iphan de Rondônia disse, na inauguração do espaço da Unir, que a iniciativa ajuda a cumprir as condicionantes do licenciamento ambiental, segundo o Portal Amazônia.

O que vem a seguir

Até o fechamento deste texto, não há cronograma nem orçamento divulgados para a reforma, nem decisão sobre a ação do MPF. Sabe-se que a obra existe, que há trilhos encontrados e que ela se liga a um programa de licenciamento. Falta saber quem paga e quem responde pelo prédio.

Os processos de licenciamento no Ibama e no Iphan, e a ação do MPF, podem responder a essas perguntas.

Como fizemos: Usamos a reportagem do Rondoniaovivo de 26 de outubro de 2026, a coluna do Portal Amazônia de agosto de 2024, a nota do MPF de 4 de novembro de 2025, o verbete sobre a Madeira-Mamoré na Wikipedia em inglês e duas reportagens do Portal Amazônia, de 2022 e de 2026, acessadas em 27 de outubro de 2026. Não localizamos o processo de tombamento no Iphan nem o de licenciamento no Ibama, por isso não confirmamos custo, prazo ou executor da obra. As datas de inauguração da estação divergem entre as fontes, e por isso não as usamos. Não encontramos foto licenciada do prédio, e a imagem é provisória.

Fontes

Temas

  • Guajará-Mirim
  • Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
  • Patrimônio Histórico
  • Usina de Jirau

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.