Lula venceu em 2022 pela menor margem de segundo turno desde 1989
Desde 1989, houve sete segundos turnos para presidente; em 2022, Lula venceu por 1,8 ponto percentual, a menor diferença da série.
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No domingo, 25 de outubro de 2026, os eleitores decidem entre Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), e Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), no segundo turno da eleição presidencial. A disputa segue porque nenhum candidato alcançou a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, segundo o Congresso em Foco.
Antes da votação, vale olhar para os segundos turnos anteriores. Desde 1989, quando o voto direto para presidente voltou após o regime militar, o país teve sete disputas desse tipo. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual, a menor margem da série.
Segundo turno acontece quando nenhum candidato chega à maioria absoluta dos votos válidos. Votos válidos são os dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Os números deste texto vêm do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apura e totaliza a votação.
Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno. Por isso, essas duas eleições não tiveram segundo turno.
Margens: de 22 pontos a menos de 2
A maior vitória da série foi de Lula sobre José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em 2002: 61,27% contra 38,73% dos votos válidos. A diferença foi de 22,5 pontos percentuais. Em 2006, Lula venceu Geraldo Alckmin, também do PSDB, por 21,7 pontos.
Pontos percentuais medem a distância entre dois percentuais. Se um candidato tem 60% e o outro, 40%, a diferença é de 20 pontos percentuais.
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) venceu José Serra por 12,1 pontos. Desde então, nenhuma vitória passou desse número. Em 2014, Dilma superou Aécio Neves (PSDB) por 3,3 pontos, com 51,64% contra 48,36%.
Em 2018, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), venceu Fernando Haddad (PT) por 10,3 pontos. Em 2022, Lula teve 50,90% e Bolsonaro, 49,10%. A diferença de 1,8 ponto foi a menor das sete disputas.
Margem do segundo turno foi a menor em 2022 e a maior em 2002 Percentual sobre votos válidos, diferença em pontos percentuais (p.p.) e abstenção sobre eleitores aptos, 1989 a 2022
| Ano | Vencedor × derrotado (% dos votos válidos) | Margem (p.p.) | Abstenção |
|---|---|---|---|
| 2022 | Lula 50,90% × Bolsonaro 49,10% | 1,8 | 20,6% |
| 2014 | Dilma 51,64% × Aécio 48,36% | 3,3 | 21,1% |
| 1989 | Collor 53,03% × Lula 46,97% | 6,1 | 14,4% |
| 2018 | Bolsonaro 55,13% × Haddad 44,87% | 10,3 | 21,3% |
| 2010 | Dilma 56,05% × Serra 43,95% | 12,1 | 21,5% |
| 2006 | Lula 60,83% × Alckmin 39,17% | 21,7 | 19,0% |
| 2002 | Lula 61,27% × Serra 38,73% | 22,5 | 20,5% |
Fonte: TSE, dados compilados nas fontes listadas abaixo. Elaboração: redação.
Abstenção: a menor em 1989 e a maior em 2010
A abstenção é a parcela dos eleitores aptos a votar que não compareceu às urnas. Em 1989, ela ficou em 14,4%, a menor taxa da série. Em 2010, chegou a 21,5%, o maior índice desde 1989, segundo o Correio.
Nos três últimos segundos turnos, a abstenção ficou entre 20% e 22%. Em 2022, cerca de 32,2 milhões de eleitores não votaram, o equivalente a 20,6%.
O que diz o TSE: Segundo o Jornal do Brasil, o tribunal informou que a abstenção do segundo turno de 2022 foi de 32.200.558 eleitores, ou 20,59%. O número saiu da totalização concluída às 0h18 de 31 de outubro de 2022.
O que isso significa
Os números mostram que segundos turnos apertados não são raros. Em 2014 e em 2022, a diferença ficou abaixo de 4 pontos. Já em 2002 e 2006, as vitórias de Lula passaram de 21 pontos.
Em 25 de outubro, o eleitor vai decidir a oitava disputa desse tipo desde 1989. Os dados não indicam o resultado. Mostram, porém, que a diferença final pode variar muito de uma eleição para a outra.
Como fizemos: Usamos os votos de cada candidato e o total de eleitores aptos em cada segundo turno, de 1989 a 2022, conforme dados do TSE reproduzidos em páginas da Wikipédia e nas matérias listadas nas fontes, acessados em 22 de outubro de 2026. Os percentuais são sobre votos válidos. A margem é a diferença entre os dois percentuais, em pontos percentuais. A abstenção é o total de aptos menos o comparecimento, dividido pelo total de aptos. Não conseguimos abrir o portal do TSE nesta data. Uma busca indicou que o relatório de proclamação de 2022 registra 31.815.791 abstenções, cerca de 20,3%; não conferimos esse número e não o usamos, por divergir da totalização. Os dados não mostram motivos de voto nem diferenças por estado.
Fontes
- Congresso em Foco: quando é o segundo turno das eleições 2026 (acesso em 22/10/2026)
- Jornal do Brasil: TSE conclui totalização de votos pouco depois da meia-noite (acesso em 22/10/2026)
- Bahia Notícias: desde 1989, quem ganha o primeiro turno para presidente vence também o segundo (acesso em 22/10/2026)
- Correio: segundo turno registra maior percentual de abstenções desde 1989 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 1989 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2002 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2006 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2010 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2014 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2018 (acesso em 22/10/2026)
- Wikipédia: Eleição presidencial no Brasil em 2022 (acesso em 22/10/2026)



