História

Militares depõem Vargas em 1945; Dutra vence eleição de dezembro

Os militares depuseram Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1945, e Eurico Gaspar Dutra venceu a eleição de 2 de dezembro com 55,39% dos votos válidos.

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Homem de terno listrado e óculos acena de um carro aberto, cercado por militares de quepe, durante um desfile no Rio de Janeiro em 1945
Desfile da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Getúlio Vargas, em 1945.Foto: Arquivo Nacional / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 29 de outubro de 1945, militares depuseram Getúlio Vargas. Ele governava o país desde 1930. No dia seguinte, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Linhares, assumiu a Presidência da República. Cinco semanas depois, em 2 de dezembro, o país votou para presidente e para a Assembleia Nacional Constituinte, que escreveria uma nova Constituição.

Em 1937, Vargas instalou o Estado Novo, uma ditadura. As eleições previstas para 1938 foram canceladas, e o Congresso ficou fechado. Em 1945, a pressão pelo fim do regime cresceu, e a ditadura começou a ruir.

Um movimento queria mais tempo para Vargas

Em 1945, ganhou força o queremismo, nome que vem do lema “Queremos Getúlio”. Os queremistas defendiam adiar as eleições e lançar Vargas como candidato. Também pediam uma Assembleia Nacional Constituinte. O movimento era orientado por membros do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e apoiado pelos comunistas, segundo a Wikipédia em português.

Por que os militares agiram

Em outubro, o chefe de polícia do Distrito Federal, João Alberto Lins de Barros, proibiu um comício pró-Vargas marcado para o dia 27. Vargas substituiu João Alberto pelo irmão, Benjamin Vargas. A troca foi lida como manobra para o presidente continuar no poder.

Historiadores citados pela Wikipédia em inglês relatam que os militares temiam que Vargas tomasse o poder absoluto. O Alto Comando do Exército se reuniu em 29 de outubro com o ministro da Guerra, Pedro Aurélio de Góis Monteiro. Vargas foi deposto nesse mesmo dia.

O general Eurico Gaspar Dutra também participou da ação, segundo o historiador Frank McCann, em Soldados da Pátria (2007). Dutra havia deixado o Ministério da Guerra em agosto para disputar a eleição.

A eleição de dezembro

A votação foi em 2 de dezembro. Dutra, pelo Partido Social Democrático (PSD), obteve 55,39% dos votos válidos. O brigadeiro Eduardo Gomes, da União Democrática Nacional (UDN), ficou com 34,74%. Gomes representava a oposição liberal ao regime de Vargas.

Votos para presidente em 2 de dezembro de 1945 Número de votos e percentual sobre os votos válidos (5.870.667)

Candidato Partido Votos %
Eurico Gaspar Dutra PSD 3.251.507 55,39
Eduardo Gomes UDN 2.039.341 34,74
Yedo Fiúza PCB 569.818 9,71
Mário Rolim Teles PAN 10.001 0,17

Fonte: Nohlen, citado pela Wikipédia em inglês. Percentuais calculados pela redação.

O candidato comunista Yedo Fiúza, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), teve 9,71%. No mesmo dia, os eleitores escolheram deputados e senadores para a Constituinte. Ela redigiu a Constituição de 1946.

O que diz o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Pela Resolução nº 215, de 2 de outubro de 1945, o tribunal estabeleceu que o Parlamento eleito teria poderes constituintes, além de suas funções comuns. A informação consta da página do TSE sobre a Assembleia Constituinte de 1946.

O que isso significa

A deposição de 1945 foi feita pelos militares, não pelo voto. Mas a eleição de dezembro devolveu ao país a escolha de presidente e de deputados. Dutra tomou posse em 31 de janeiro de 1946, e a Constituinte se reuniu na mesma época.

Amanhã, domingo (25), os eleitores voltam às urnas para o segundo turno de 2026, marcado pelo TSE para essa data.

Como fizemos: Usamos a tabela de votos compilada por Dieter Nohlen a partir de dados do TSE, na versão em inglês da Wikipédia, conferida com a versão em português, acessadas em 24 de outubro de 2026. Os percentuais são nossos, calculados sobre 5.870.667 votos válidos. Algumas páginas dão 3.351.507 votos para Dutra, mas a soma da tabela só fecha com 3.251.507. As páginas oficiais do TSE e do CPDOC não abriram para nós, por isso datas e a Resolução nº 215 foram confirmados em resumos e páginas de terceiros, e não no texto original.

Fontes