Educação

Estudantes retomam as ruas e ligam educação à defesa da democracia

Às vésperas do segundo turno, atos estudantis recuperam símbolos da resistência à ditadura e recolocam a universidade no debate cívico.

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Estudantes em manifestação pública em São Paulo
Mobilizações estudantis em São Paulo lembram que a participação política também é parte da educação.Foto: Amanda Lemos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Mais de mil estudantes participaram de uma assembleia na Universidade Federal Fluminense depois do primeiro turno. O encontro virou ato de rua e ajudou a espalhar mobilizações por outras cidades, segundo entrevista da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, à Agência Brasil em 18 de outubro.

A mobilização ocorre quatro dias antes do segundo turno. O ângulo histórico é claro: os estudantes voltam a usar a rua como espaço de formação cívica, conectando educação pública, direitos e defesa das instituições.

Da Passeata dos 100 mil aos atos de 2026

Borges citou a luta estudantil contra a ditadura militar, a campanha pelas Diretas Já e as mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor. Em um ato no Rio de Janeiro, em 7 de outubro, estudantes lembraram Edson Luís, morto em 1968 e transformado em símbolo da resistência universitária.

A comparação não mede o tamanho das manifestações. Ela mostra como uma geração usa referências anteriores para interpretar uma eleição. A memória funciona como vocabulário: nomes, lugares e datas ajudam a explicar por que um protesto é visto como defesa de direitos.

A UNE também informou que secundaristas e grêmios se juntaram a universitários. A organização descreveu atos em Niterói, Rio e Brasília. A Agência Brasil registrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para retirar publicações de 54 dirigentes de entidades estudantis.

A mobilização combina três camadas históricas

Camada Exemplo citado pela UNE O que ensina
Ditadura Edson Luís e a Passeata dos 100 mil Participação sob repressão
Redemocratização Diretas Já Pressão social por voto
2026 Assembleias e grêmios Organização no presente

Fonte: entrevista da UNE à Agência Brasil. Elaboração: redação.

Educação aparece como direito e infraestrutura

A dirigente afirmou que universidades sofrem subfinanciamento há mais de dez anos e precisam de bolsas, laboratórios e assistência estudantil. Ela criticou a proposta de transferir o ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, dizendo que a mudança aproximaria a universidade do mercado.

A fala é uma posição da UNE, não uma avaliação independente do plano de governo. O programa de Flávio, citado pela própria Agência Brasil, propõe ensino técnico ligado a empresas, escolas cívico-militares e a transferência administrativa. Registrar as duas informações permite ao leitor distinguir proposta e crítica.

O que diz a UNE: Bianca Borges afirma que estudantes se levantam por direitos, educação, soberania e democracia. A entidade apoia Lula no segundo turno, mas diz que a mobilização continuará qualquer que seja o resultado.

A história dos movimentos estudantis não determina o voto de 2026. Ela ajuda a entender por que universidades e grêmios tratam a eleição como parte de uma disputa sobre participação. O que segue aberto é se essa energia permanecerá organizada depois de 25 de outubro.

Como fizemos: Usamos a entrevista da Agência Brasil publicada em 18 de outubro de 2026, acessada em 21 de outubro. A tabela resume episódios mencionados pela UNE e não compara o número de participantes de cada ato, porque não há contagem homogênea. As avaliações sobre propostas foram atribuídas à entidade e ao programa citado.

Fontes

Temas

  • Educação
  • Democracia
  • Movimento Estudantil
  • Memória

Sueli Neves

Repórter de Educação

Cobre educação para o Revista 7 de Setembro.

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