Estudantes retomam as ruas e ligam educação à defesa da democracia
Às vésperas do segundo turno, atos estudantis recuperam símbolos da resistência à ditadura e recolocam a universidade no debate cívico.
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- Sueli Neves
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Mais de mil estudantes participaram de uma assembleia na Universidade Federal Fluminense depois do primeiro turno. O encontro virou ato de rua e ajudou a espalhar mobilizações por outras cidades, segundo entrevista da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, à Agência Brasil em 18 de outubro.
A mobilização ocorre quatro dias antes do segundo turno. O ângulo histórico é claro: os estudantes voltam a usar a rua como espaço de formação cívica, conectando educação pública, direitos e defesa das instituições.
Da Passeata dos 100 mil aos atos de 2026
Borges citou a luta estudantil contra a ditadura militar, a campanha pelas Diretas Já e as mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor. Em um ato no Rio de Janeiro, em 7 de outubro, estudantes lembraram Edson Luís, morto em 1968 e transformado em símbolo da resistência universitária.
A comparação não mede o tamanho das manifestações. Ela mostra como uma geração usa referências anteriores para interpretar uma eleição. A memória funciona como vocabulário: nomes, lugares e datas ajudam a explicar por que um protesto é visto como defesa de direitos.
A UNE também informou que secundaristas e grêmios se juntaram a universitários. A organização descreveu atos em Niterói, Rio e Brasília. A Agência Brasil registrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para retirar publicações de 54 dirigentes de entidades estudantis.
A mobilização combina três camadas históricas
| Camada | Exemplo citado pela UNE | O que ensina |
|---|---|---|
| Ditadura | Edson Luís e a Passeata dos 100 mil | Participação sob repressão |
| Redemocratização | Diretas Já | Pressão social por voto |
| 2026 | Assembleias e grêmios | Organização no presente |
Fonte: entrevista da UNE à Agência Brasil. Elaboração: redação.
Educação aparece como direito e infraestrutura
A dirigente afirmou que universidades sofrem subfinanciamento há mais de dez anos e precisam de bolsas, laboratórios e assistência estudantil. Ela criticou a proposta de transferir o ensino superior do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, dizendo que a mudança aproximaria a universidade do mercado.
A fala é uma posição da UNE, não uma avaliação independente do plano de governo. O programa de Flávio, citado pela própria Agência Brasil, propõe ensino técnico ligado a empresas, escolas cívico-militares e a transferência administrativa. Registrar as duas informações permite ao leitor distinguir proposta e crítica.
O que diz a UNE: Bianca Borges afirma que estudantes se levantam por direitos, educação, soberania e democracia. A entidade apoia Lula no segundo turno, mas diz que a mobilização continuará qualquer que seja o resultado.
A história dos movimentos estudantis não determina o voto de 2026. Ela ajuda a entender por que universidades e grêmios tratam a eleição como parte de uma disputa sobre participação. O que segue aberto é se essa energia permanecerá organizada depois de 25 de outubro.
Como fizemos: Usamos a entrevista da Agência Brasil publicada em 18 de outubro de 2026, acessada em 21 de outubro. A tabela resume episódios mencionados pela UNE e não compara o número de participantes de cada ato, porque não há contagem homogênea. As avaliações sobre propostas foram atribuídas à entidade e ao programa citado.
Fontes
- Estudantes retomam protagonismo em momento decisivo no país, diz UNE — Agência Brasil (acesso em 21/10/2026)
- Plano de governo de Flávio Bolsonaro — TSE (acesso em 21/10/2026)
- Memória da Passeata dos 100 mil — Arquivo Nacional (acesso em 21/10/2026)



