Educação

Como usar cartas, jornais e leis antigas nas aulas de História

Acervos digitais gratuitos da Biblioteca Nacional, da USP e do Arquivo Nacional permitem levar fontes primárias à sala; veja um roteiro de perguntas.

Ilustração abstrata em estilo de gravura, com rosácea de linhas douradas finas sobre fundo verde-oliva
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

A Lei 3.353, de 13 de maio de 1888, tem apenas dois artigos. O texto que aboliu a escravidão cabe numa folha e está disponível de graça no portal da Presidência da República. Um documento curto como esse pode virar o centro de uma aula inteira de História.

Historiadores chamam esse tipo de material de fonte primária. É o registro produzido na própria época: cartas, jornais, leis, fotografias, mapas e diários. Já o livro didático é uma fonte secundária, escrita depois, a partir das primárias.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza o ensino de História em torno de processos como identificar, comparar, contextualizar, interpretar e analisar. Trabalhar com documentos é um jeito direto de praticar cada um deles.

Onde encontrar documentos

A Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, reúne jornais e revistas digitalizados, alguns do início do século 19. A busca pode ser feita por título, período, local e palavras. Dá para procurar, por exemplo, jornais publicados em maio de 1888 e ver como a imprensa noticiou a abolição.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP), tem um acervo digital aberto. Ele inclui livros raros, manuscritos, mapas e imagens. O site da biblioteca também oferece kits didáticos.

O Arquivo Nacional mantém o Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), com muitos documentos já digitalizados. Leis históricas, como a Constituição de 1824, podem ser lidas no portal da Presidência.

Roteiro de perguntas

Antes de ler, entregue o documento com uma ficha simples. Estas perguntas funcionam para quase qualquer fonte:

  1. Quem produziu o documento, e quando?
  2. Para quem ele foi escrito ou publicado?
  3. Com que objetivo ele foi feito?
  4. O que ele afirma, nas próprias palavras do texto?
  5. O que ele não diz? Quem ficou de fora?
  6. O que outro documento sobre o mesmo fato acrescenta ou contradiz?

As duas últimas perguntas são as mais importantes. Elas mostram ao aluno que todo documento tem um ponto de vista. Um jornal de 1888, por exemplo, falava a um público leitor, numa época em que a maioria da população não sabia ler.

Dicas práticas

Comece por textos curtos e projete o original ao lado de uma transcrição. A grafia antiga, como “Brazil” e “extincta”, pode virar tema de conversa sobre como a língua muda.

Com fotografias, pergunte quem estava atrás da câmera e o que ficou fora do enquadramento. Com leis, compare o texto com o que aconteceu depois da sua publicação. Ao final, peça que cada grupo escreva um parágrafo usando ao menos duas fontes.

O que diz o Arquivo Nacional: Na página de visitas educativas, o órgão informa que oferece, na sede do Rio de Janeiro, um programa de Educação em Arquivos com atividades gratuitas. Segundo o texto, o programa busca desenvolver “junto a crianças e jovens, a familiaridade com o Arquivo Nacional e seu acervo”. As visitas devem ser agendadas com 10 dias de antecedência.

Usar fontes primárias não exige laboratório nem verba extra. Basta um projetor, um link e boas perguntas. O aluno que aprende a interrogar um documento de 1888 também aprende a desconfiar de uma notícia de hoje.

Fontes

Temas

  • Ensino de História
  • Fontes Primárias
  • Acervos Digitais
  • Professores

Repórter de Civismo

Reportagem, Civismo e Educação (perfil provisório)

Perfil provisório de quem cobre instituições, cidadania e educação. Substitua pelo nome e pela biografia reais antes do lançamento.

Viu um erro nesta reportagem? Avise a redação.