B3 registra 5,7 milhões em renda variável, 3,6% do eleitorado
Na B3, 5,7 milhões de pessoas físicas têm renda variável, cerca de 3,6% do eleitorado de 2026, sem contar fundos e previdência.
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No segundo trimestre de 2026, a B3 contou 5,7 milhões de pessoas físicas com investimentos em renda variável. O número equivale a cerca de 3,6% dos 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ou seja, a bolsa reúne uma parcela pequena dos brasileiros.
Os números da própria bolsa mostram quem está diretamente na renda variável. Este texto separa esse grupo de quem chega à bolsa por fundos e mostra onde essas pessoas vivem.
Contexto
A B3 é a bolsa de valores brasileira. Ela registra os investimentos de pessoas físicas, ou seja, dos cidadãos, e o valor guardado em cada produto, chamado de custódia. Renda variável é o grupo de aplicações cujo preço muda com o mercado, como ações e fundos de índice, os ETFs. Esses investimentos podem perder valor, e quedas podem se aprofundar.
Quem investe diretamente
A base de pessoas físicas em renda variável passou de 5,5 milhões, em dezembro de 2025, para 5,7 milhões no segundo trimestre de 2026. A custódia chegou a R$ 656,3 bilhões, segundo o boletim da B3 divulgado em 17 de setembro.
No primeiro trimestre, a bolsa contou 4 milhões de investidores em ações à vista, a compra e venda de ações com pagamento imediato. O valor em custódia desse grupo era de R$ 435,6 bilhões, segundo comunicado de 6 de julho.
Parcela do eleitorado que aparece na bolsa, por produto Número de pessoas e parte dos 158,7 milhões de eleitores aptos em 2026
| Grupo | Pessoas | Parte do eleitorado |
|---|---|---|
| Eleitorado apto (TSE, 2026) | 158,7 milhões | 100% |
| Renda variável, pessoas físicas (2º tri 2026) | 5,7 milhões | 3,6% |
| Ações à vista (1º tri 2026) | 4,0 milhões | 2,5% |
| ETFs (2º tri 2026) | 862 mil | 0,5% |
Fonte: B3; TSE. Elaboração: redação. Os grupos se sobrepõem, e uma mesma pessoa pode estar em mais de um. Por isso os números não se somam.
Quem chega por fundos e previdência
Muitos brasileiros também têm bolsa de forma indireta. Fundos de investimento juntam o dinheiro de vários investidores e aplicam em diferentes papéis. Segundo a Anbima, associação do setor financeiro, as pessoas físicas tinham R$ 2,2 trilhões em fundos em junho de 2026, de um total de R$ 9,1 trilhões aplicados.
A Anbima não informa quanto desses R$ 2,2 trilhões está em ações. A previdência complementar, os planos privados de aposentadoria, também pode ter ações na carteira. Não encontramos dado público recente que quantifique essa exposição. O número de pessoas expostas à bolsa por esses caminhos pode ser maior, mas não dá para medi-lo com as fontes checadas.
Onde estão os investidores
Em janeiro, a B3 divulgou a distribuição por estado dos investidores de 2025. São Paulo tinha 1,9 milhão de investidores, cerca de 35% da base de quase 5,5 milhões. Minas Gerais tinha 554 mil, e o Rio de Janeiro, 550 mil.
No eleitorado de 2026, São Paulo tem 21,48% dos eleitores aptos. Minas Gerais tem 10,3%, fatia parecida com a de investidores. O Rio tem 8,1% dos eleitores, abaixo dos cerca de 10% de investidores. A nota da B3 não descreve o critério usado para atribuir cada investidor a um estado.
Sobre renda, a B3 não publicou, nos documentos que consultamos, a divisão de investidores por faixa de renda. Com essas fontes, não é possível dizer quanto do dinheiro da bolsa está concentrado em poucas mãos.
O que diz a B3: Em comunicado de 6 de julho de 2026, a bolsa falou em “avanço consistente na diversificação das carteiras no primeiro trimestre de 2026”. Esta reportagem não enviou perguntas à B3 antes da publicação. A posição vem de comunicado público.
O que isso significa
Os dados mostram que a compra direta de ações e fundos da bolsa alcança uma minoria: cerca de 3,6% do eleitorado. A exposição indireta por fundos e previdência pode ser maior, mas as fontes checadas não a medem em ações.
Os dados também não mostram como as perdas se distribuem entre as faixas de renda. Quem tem fundos ou previdência com ações sente os movimentos de forma indireta. A parcela desse grupo segue sem medição pública nas fontes que checamos.
Como fizemos: Usamos dados da B3 (boletim do segundo trimestre de 2026, publicado em 17/09/2026; comunicado do primeiro trimestre, de 06/07/2026; e nota sobre 2025, de 16/01/2026), do TSE (eleitorado apto de 2026, de 158.745.463 pessoas) e da Anbima (primeiro semestre de 2026, divulgado em 03/09/2026), todos acessados em 26/10/2026. As parcelas do eleitorado e dos estados são cálculos nossos, arredondados; os estados usam a base de 2025, de “quase 5,5 milhões”. Não conseguimos abrir os PDFs completos da B3, por isso não usamos o saldo mediano, nem checamos se a contagem por CPF repete quem tem conta em mais de uma corretora. Não encontramos dados públicos sobre a exposição do FGTS ou da previdência a ações. O eleitorado inclui eleitores de voto facultativo, e a B3 mede investidores, não habitantes.
Fontes
- ETFs ganham 223 mil investidores em um ano e alcançam 862 mil CPFs na B3 — B3, 17/09/2026 (acesso em 26/10/2026)
- Avanço dos ETFs destacam evolução do investidor pessoa física na B3 — B3, 06/07/2026 (acesso em 26/10/2026)
- Bolsa atrai 206 mil novos investidores em renda variável em 2025; veja estados com maior representatividade — B3, 16/01/2026 (acesso em 26/10/2026)
- Investimentos das pessoas físicas crescem 6,4% e somam R$ 9,1 trilhões no 1º semestre de 2026 — Anbima, 03/09/2026 (acesso em 26/10/2026)
- Eleições 2026 em números: 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar — TSE (acesso em 26/10/2026)
- Mais de 158 milhões de eleitores e eleitoras estão aptos a votar — Correio Braziliense, jul/2026 (acesso em 26/10/2026)
- Sao Paulo Stock Exchange.jpg — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 26/10/2026)



