Civismo

Desemprego cai para 5,3%, e a massa de renda bate recorde

A taxa de desemprego do IBGE ficou em 5,3%, a menor desde 2012 para o trimestre até agosto. Mas a inflação de 12 meses passou do teto da meta.

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Dois trabalhadores de luvas reformam uma calçada ao lado de uma fachada, com uma moto vermelha estacionada à direita
Trabalhadores de construção consertam uma calçada em rua de cidade brasileira, em abril de 2019.Foto: VazioUrbano / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026. É a menor para esse período desde 2012, segundo o IBGE. Os dados saíram em 29 de setembro.

Os preços e os juros contam outra história. A inflação de 12 meses passou do teto da meta, e a taxa básica de juros segue acima de 13% ao ano. A tabela reúne os números oficiais, com a data de cada divulgação.

A PNAD Contínua, pesquisa do IBGE sobre domicílios, calcula o desemprego em trimestres móveis. O resultado de agosto soma junho, julho e agosto. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, conta as vagas com carteira assinada.

Mais gente trabalhando, com renda total recorde

Segundo o IBGE, 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas no trimestre até agosto. É o maior número da série, que começa em 2012. Os desocupados somaram 5,8 milhões.

O rendimento médio habitual foi de R$ 3.777, contra R$ 3.752 no trimestre até maio. A massa de rendimento, que é o total pago em salários e outros ganhos do trabalho, chegou a R$ 385,6 bilhões. É a maior da série, com alta de 4,8% em um ano.

O Caged de agosto registrou saldo de 165.827 vagas formais. Foram 2,29 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos. O dado foi divulgado em 29 de setembro.

Indicadores oficiais de emprego, renda e preços Último dado publicado em cada caso, em 26 de outubro de 2026

Indicador Referência Valor Divulgado em
PIB (IBGE) 2º trimestre de 2026 ante o 1º, com ajuste sazonal +0,5% 1/9
Desocupação (PNAD Contínua) Junho a agosto de 2026 5,3% 29/9
Rendimento médio habitual Junho a agosto de 2026 R$ 3.777 29/9
Saldo do Caged Agosto de 2026 +165.827 vagas 29/9
IPCA (IBGE) Setembro de 2026, no mês +0,82% 9/10
IPCA Acumulado em 12 meses até setembro 4,58% 9/10
Selic (Copom) Meta após a reunião de 16/9 13,75% ao ano 16/9
IPCA de 2026, projeção (Boletim Focus) Mediana do mercado 5,22% 13/10

Fontes: IBGE, Ministério do Trabalho, Banco Central. Detalhes em Fontes.

Preços e juros seguem altos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, subiu 0,82% em setembro. A conta de luz residencial ficou 7,98% mais cara, segundo o IBGE. Em 12 meses, a alta chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.

A Selic é a taxa básica de juros do país. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a reduziu de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro. Foi a quinta queda seguida desde março, e a decisão foi unânime. Em 5 de agosto, o Copom já havia dito que o IPCA “permanece acima do limite superior da meta”.

O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, elevou para 5,22% a projeção de inflação de 2026, em 13 de outubro. Foi a quarta alta seguida. A mediana para a Selic ao fim de 2026 ficou em 13,25%.

Descontada a inflação de 12 meses, a Selic fica cerca de 9 pontos percentuais acima. Essa conta é nossa, feita com os números do IBGE e do Copom.

Produção e contas públicas

O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no 2º trimestre ante o 1º, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2,0%. O consumo das famílias, porém, recuou 0,4% no trimestre.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico do Senado, também aponta riscos. Em setembro de 2025, escreveu que “os resultados fiscais esperados para 2026 dependem das decisões do Congresso Nacional”. É uma avaliação de 2025, e não do cenário atual.

O que diz o IBGE: Ao comentar a PNAD, o analista William Kratochwill afirmou: “Não podemos falar em perda de fôlego porque a taxa está em ponto muito baixo”. A informação está na cobertura do DGABC, de 29 de setembro de 2026.

O que isso significa

Os dados mostram trabalho e renda em alta, com o desemprego mais baixo da série para o período. Mostram também inflação acima do teto da meta e juros que seguem altos. Uma coisa não anula a outra.

O mercado financeiro reage a expectativas sobre o futuro. Emprego, renda e preços medem o presente de quem trabalha e compra. Ativos como ações e câmbio podem perder valor, e quedas causadas por pânico podem se aprofundar. Este texto não é recomendação de investimento. Os próximos números são o Caged de setembro e a próxima reunião do Copom, prevista para novembro.

Como fizemos: Reunimos números publicados entre 1º de setembro e 13 de outubro de 2026, a partir de reportagens e de páginas oficiais, acessados em 26 de outubro de 2026. Conferimos cada valor com a fonte listada, mas não abrimos todas as tabelas do IBGE e do Banco Central. Não confirmamos a variação anual do rendimento médio, por isso não a usamos. A diferença de 9 pontos percentuais entre a Selic e a inflação de 12 meses é nossa conta (13,75 menos 4,58). O Caged de setembro não aparecia nas fontes consultadas, e os dados do IBGE podem ser revisados.

Fontes