Desemprego cai para 5,3%, e a massa de renda bate recorde
A taxa de desemprego do IBGE ficou em 5,3%, a menor desde 2012 para o trimestre até agosto. Mas a inflação de 12 meses passou do teto da meta.
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- Vitor Coelho
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A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026. É a menor para esse período desde 2012, segundo o IBGE. Os dados saíram em 29 de setembro.
Os preços e os juros contam outra história. A inflação de 12 meses passou do teto da meta, e a taxa básica de juros segue acima de 13% ao ano. A tabela reúne os números oficiais, com a data de cada divulgação.
A PNAD Contínua, pesquisa do IBGE sobre domicílios, calcula o desemprego em trimestres móveis. O resultado de agosto soma junho, julho e agosto. Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, conta as vagas com carteira assinada.
Mais gente trabalhando, com renda total recorde
Segundo o IBGE, 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas no trimestre até agosto. É o maior número da série, que começa em 2012. Os desocupados somaram 5,8 milhões.
O rendimento médio habitual foi de R$ 3.777, contra R$ 3.752 no trimestre até maio. A massa de rendimento, que é o total pago em salários e outros ganhos do trabalho, chegou a R$ 385,6 bilhões. É a maior da série, com alta de 4,8% em um ano.
O Caged de agosto registrou saldo de 165.827 vagas formais. Foram 2,29 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos. O dado foi divulgado em 29 de setembro.
Indicadores oficiais de emprego, renda e preços Último dado publicado em cada caso, em 26 de outubro de 2026
| Indicador | Referência | Valor | Divulgado em |
|---|---|---|---|
| PIB (IBGE) | 2º trimestre de 2026 ante o 1º, com ajuste sazonal | +0,5% | 1/9 |
| Desocupação (PNAD Contínua) | Junho a agosto de 2026 | 5,3% | 29/9 |
| Rendimento médio habitual | Junho a agosto de 2026 | R$ 3.777 | 29/9 |
| Saldo do Caged | Agosto de 2026 | +165.827 vagas | 29/9 |
| IPCA (IBGE) | Setembro de 2026, no mês | +0,82% | 9/10 |
| IPCA | Acumulado em 12 meses até setembro | 4,58% | 9/10 |
| Selic (Copom) | Meta após a reunião de 16/9 | 13,75% ao ano | 16/9 |
| IPCA de 2026, projeção (Boletim Focus) | Mediana do mercado | 5,22% | 13/10 |
Fontes: IBGE, Ministério do Trabalho, Banco Central. Detalhes em Fontes.
Preços e juros seguem altos
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, subiu 0,82% em setembro. A conta de luz residencial ficou 7,98% mais cara, segundo o IBGE. Em 12 meses, a alta chegou a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.
A Selic é a taxa básica de juros do país. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a reduziu de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro. Foi a quinta queda seguida desde março, e a decisão foi unânime. Em 5 de agosto, o Copom já havia dito que o IPCA “permanece acima do limite superior da meta”.
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, elevou para 5,22% a projeção de inflação de 2026, em 13 de outubro. Foi a quarta alta seguida. A mediana para a Selic ao fim de 2026 ficou em 13,25%.
Descontada a inflação de 12 meses, a Selic fica cerca de 9 pontos percentuais acima. Essa conta é nossa, feita com os números do IBGE e do Copom.
Produção e contas públicas
O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de tudo o que o país produz, cresceu 0,5% no 2º trimestre ante o 1º, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2,0%. O consumo das famílias, porém, recuou 0,4% no trimestre.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico do Senado, também aponta riscos. Em setembro de 2025, escreveu que “os resultados fiscais esperados para 2026 dependem das decisões do Congresso Nacional”. É uma avaliação de 2025, e não do cenário atual.
O que diz o IBGE: Ao comentar a PNAD, o analista William Kratochwill afirmou: “Não podemos falar em perda de fôlego porque a taxa está em ponto muito baixo”. A informação está na cobertura do DGABC, de 29 de setembro de 2026.
O que isso significa
Os dados mostram trabalho e renda em alta, com o desemprego mais baixo da série para o período. Mostram também inflação acima do teto da meta e juros que seguem altos. Uma coisa não anula a outra.
O mercado financeiro reage a expectativas sobre o futuro. Emprego, renda e preços medem o presente de quem trabalha e compra. Ativos como ações e câmbio podem perder valor, e quedas causadas por pânico podem se aprofundar. Este texto não é recomendação de investimento. Os próximos números são o Caged de setembro e a próxima reunião do Copom, prevista para novembro.
Como fizemos: Reunimos números publicados entre 1º de setembro e 13 de outubro de 2026, a partir de reportagens e de páginas oficiais, acessados em 26 de outubro de 2026. Conferimos cada valor com a fonte listada, mas não abrimos todas as tabelas do IBGE e do Banco Central. Não confirmamos a variação anual do rendimento médio, por isso não a usamos. A diferença de 9 pontos percentuais entre a Selic e a inflação de 12 meses é nossa conta (13,75 menos 4,58). O Caged de setembro não aparecia nas fontes consultadas, e os dados do IBGE podem ser revisados.
Fontes
- PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, aponta IBGE — Agência Gov (acesso em 26/10/2026)
- Taxa de desemprego no Brasil é a menor para trimestre até agosto desde 2012 — DGABC (acesso em 26/10/2026)
- Taxa de desemprego cai para 5,3%, a menor para o trimestre até agosto — Mercado&Consumo (acesso em 26/10/2026)
- População ocupada chega a 103,5 milhões, a maior da série — Acessa (acesso em 26/10/2026)
- Caged: saldo líquido de emprego formal é positivo em 165.827 vagas em agosto — Jornal do Comércio (acesso em 26/10/2026)
- IPCA de setembro: energia elétrica sobe 7,98% — BP Money (acesso em 26/10/2026)
- IPCA e INPC de setembro de 2026, boletim do IBGE — cópia em Poder360 (acesso em 26/10/2026)
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime — Atlas Público (acesso em 26/10/2026)
- Copom reduz Selic de 14,25% para 14,00% ao ano — Atlas Público (acesso em 26/10/2026)
- Mercado eleva previsão da inflação para 5,22% em 2026 — O Povo (acesso em 26/10/2026)
- IFI projeta crescimento do PIB de 1,7% e inflação em 4,3% em 2026 — Senado Federal (acesso em 26/10/2026)
- Banco Central do Brasil — Relatório Focus e comunicados do Copom (acesso em 26/10/2026)
- IBGE — Agência de Notícias e tabelas de PIB, PNAD Contínua e IPCA (acesso em 26/10/2026)



