Impeachment de ministro do STF nunca foi aprovado; exige 54 senadores
Segundo a Revista Oeste, a campanha de Flávio Bolsonaro trata o afastamento de Moraes como prioridade; o Senado nunca aprovou pedido desse tipo.
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- Sônia Barros
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O impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) nunca foi aprovado pelo Senado. Mesmo assim, segundo a Revista Oeste, a campanha de Flávio Bolsonaro trata o afastamento de Alexandre de Moraes como prioridade. A informação vem de fontes da campanha ouvidas pela revista, não de declaração pública do candidato.
A pergunta central é quanto obstáculo a lei impõe. Os números do rito e dos julgamentos recentes mostram quantos votos e quanto tempo esse caminho exige.
Moraes foi o relator do processo que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, em 11 de setembro de 2025. Relator é o ministro que conduz o caso e apresenta o voto principal. Segundo a Revista Oeste, o ministro Flávio Dino “segue na mira”: um pedido contra ele não está descartado.
Como a lei trata um ministro do STF
A Constituição dá ao Senado Federal o poder de julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esses crimes estão listados na Lei 1.079, de 1950, a mesma lei do impeachment presidencial. Entre eles estão alterar voto ou decisão já proferida em sessão, julgar causa em que é suspeito e exercer atividade político-partidária. Também entram a desídia (negligência grave) e a conduta incompatível com o decoro do cargo.
O pedido é apresentado ao Senado Federal. Segundo a Agência Senado, qualquer cidadão pode fazê-lo. O texto vira uma petição, é examinado pela Advocacia do Senado e pela Comissão Diretora (órgão que dirige a Casa) e só então vai ao plenário. A Tabela 1 resume o rito e as regras de votação.
Nenhum pedido de impeachment contra ministro do STF foi aprovado Regras do processo no Senado e situação até 20 de outubro de 2026
| Item | Regra |
|---|---|
| Quem pode apresentar | Qualquer cidadão |
| Quem julga | Senado Federal |
| Votos para condenar | 54 de 81 senadores (dois terços) |
| Pena | Perda do cargo e inabilitação por até 5 anos |
| Pedidos aprovados | Nenhum |
Fonte: Agência Senado; Lei 1.079/1950; Constituição, art. 52. Acessados em 20 de outubro de 2026. Elaboração: redação.
Pela Constituição, a condenação exige dois terços dos senadores, ou 54 dos 81. Isso equivale a 66,7% dos senadores, cálculo nosso. A pena, segundo a Agência Senado, é a perda do cargo e a inabilitação, ou seja, a proibição de ocupar função pública, por até cinco anos. Segundo a mesma fonte, nunca foi aprovado um pedido de impeachment contra ministro do STF.
Dois julgamentos com Moraes como relator
A Primeira Turma do STF, um dos colegiados do tribunal, condenou Jair Bolsonaro em 11 de setembro de 2025. Em 16 de junho de 2026, o mesmo colegiado condenou Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, a 4 anos e 2 meses de prisão, por coação no curso do processo. Moraes foi relator nos dois casos, como mostra a Tabela 2.
Moraes foi relator das condenações de Jair e Eduardo Bolsonaro no STF Julgamentos na Primeira Turma do STF, em 2025 e 2026
| Condenado | Data | Pena | Relator |
|---|---|---|---|
| Jair Bolsonaro | 11/9/2025 | 27 anos e 3 meses (regime fechado) | Alexandre de Moraes |
| Eduardo Bolsonaro | 16/6/2026 | 4 anos e 2 meses (regime semiaberto) | Alexandre de Moraes |
Fonte: CNN Brasil; Agência Brasil. Acessados em 20 de outubro de 2026. Elaboração: redação.
Por 4 votos a 0, o tribunal entendeu que Eduardo articulou o tarifaço, o aumento de tarifas americanas contra o Brasil, para tentar evitar a condenação do pai. Dino votou pela condenação de Jair Bolsonaro e acompanhou o relator no caso de Eduardo. Nos dois casos, ainda cabe recurso.
Dino e o pedido de suspeição
Em 1º de outubro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou um pedido de Flávio Bolsonaro para declarar Dino suspeito. Segundo a Agência Brasil, o senador, candidato à Presidência, alegou laços pessoais do ministro com o presidente Lula. O pedido pretendia tirar Dino da relatoria de dois casos, e os detalhes da decisão estão sob sigilo.
Segundo a Agência Brasil, Dino é relator de apuração sobre R$ 2 milhões em emendas enviadas por um deputado a um instituto ligado à produtora do filme Dark Horse. A Agência Brasil não diz que Flávio Bolsonaro seja parte desse caso. Em setembro de 2025, Flávio chamou o julgamento do pai de “farsa” e acusou ministros do STF de parcialidade e perseguição política, segundo o Correio Braziliense. No mesmo dia, disse de Moraes: “É um psicopata.”
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: segundo a Revista Oeste, a campanha se diz vítima de perseguição política e afirma que suas propostas buscam restabelecer o equilíbrio entre os Poderes. O impeachment de Moraes não é compromisso público do candidato; a informação vem de fontes ouvidas pela revista.
O que isso significa
Os números mostram um caminho longo e exigente. Para afastar um ministro, o Senado precisa de 54 votos, e nenhum pedido desse tipo foi aprovado até hoje.
Nas fontes consultadas, não há registro de pedido formal de impeachment contra Moraes. Sobre Dino, o pedido de suspeição foi rejeitado por Fachin, mas um novo pedido contra ele não está descartado, segundo a Revista Oeste. Ministros do STF têm vitaliciedade, garantia de permanência no cargo que protege juízes de afastamentos por causa de suas decisões. A eleição de 25 de outubro não altera essas regras.
Como fizemos: Usamos a reportagem da Revista Oeste, publicada em 9 de outubro de 2026, e reportagens da Agência Brasil, da CNN Brasil e do Correio Braziliense, além da página da Agência Senado sobre o rito. Essas páginas foram acessadas em 20 de outubro de 2026, exceto a da Revista Oeste, que não pôde ser aberta nessa verificação. O percentual de 66,7% é nosso cálculo: 54 votos divididos por 81 senadores, sem indicar como cada um votaria. A Constituição e a Lei 1.079 não foram conferidas no texto oficial nesta verificação, e as regras citadas seguem as reportagens e a Agência Senado.
Correção: Uma versão anterior deste texto dizia que Flávio Dino relata ações que envolvem o próprio Flávio Bolsonaro, que a inabilitação seria de cinco anos e que o senador nega ter cometido crimes. A Agência Brasil informa que Dino é relator de apuração sobre emendas ligadas a uma produtora do filme Dark Horse, mas não diz que o senador seja parte dela. A Agência Senado informa que a inabilitação é de até cinco anos, e a declaração de negativa de crimes não foi localizada nas fontes consultadas.
Fontes
- Revista Oeste — Flávio trata impeachment de Moraes como inegociável; Dino segue na mira (não acessível na verificação; link mantido)
- Agência Senado — Pedido de impeachment contra ministro do STF: como tramita (acesso em 20/10/2026)
- Agência Brasil — Fachin nega pedido para afastar Dino de ações sobre Flávio Bolsonaro (acesso em 20/10/2026)
- Agência Brasil — STF condena Eduardo Bolsonaro à inelegibilidade e 4 anos de prisão (acesso em 20/10/2026)
- CNN Brasil — Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por plano de golpe (acesso em 20/10/2026)
- Correio Braziliense — Flávio Bolsonaro reage à condenação do pai e pede anistia ampla (acesso em 20/10/2026)
- Presidência da República — Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950 (não conferida nesta verificação)
- Presidência da República — Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (não conferida nesta verificação)



