Civismo

Dólar a R$ 5,40: agro recebe mais em reais e paga mais por insumos

Com o dólar perto de R$ 5,40, soja e milho rendem mais em reais, mas fertilizantes e diesel importados encarecem a produção no campo.

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Três caminhões carregados com grãos trafegam em rodovia de pista dupla, sob céu com nuvens, perto de Rondonópolis (MT)
Caminhões transportam a safra de soja pela BR-163, perto de Rondonópolis (MT), em março de 2009.Foto: Roosevelt Pinheiro / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Na segunda-feira (26), o dólar comercial subiu cerca de 8% e chegou a R$ 5,403 às 17h05, segundo a InfoMoney. A moeda reagiu à reeleição de Lula, que teve 51,79% dos votos, segundo o Poder360. Para o agro, o dólar mais alto ajuda quem vende e pesa sobre quem compra.

Em 5 de outubro, no primeiro pregão após o primeiro turno, o dólar estava perto de R$ 5,00. A informação é da Bora Investir, site da B3, a bolsa de valores de São Paulo. Em três semanas, a moeda subiu cerca de 8% em relação a esse nível, em conta nossa.

Quem vende recebe mais em reais

Quem exporta recebe em dólar e paga custos em reais. Por isso, um câmbio mais alto aumenta a receita em reais de cada venda de soja e milho. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 181,6 milhões de toneladas de soja, alta de 0,7%, e 148 milhões de toneladas de milho, alta de 2,4%, na safra 2026/27.

As exportações do agro somaram US$ 15,17 bilhões em setembro, alta de 1,9% sobre setembro de 2025. Em valor, as vendas de soja em grão subiram 11,9% em setembro, segundo a Faesp, com dados do banco de comércio exterior do governo federal (Comex Stat). Os preços diários do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram o preço físico no interior.

Preços e indicadores do agro em 26 de outubro de 2026 Cotações do dia, com o horário informado por cada fonte

Indicador Valor Horário Fonte
Dólar comercial R$ 5,403 17h05 InfoMoney
Soja, Paranaguá R$ 155,55 por saca de 60 kg 26/10 Cepea/Esalq
Soja, Paraná R$ 149,18 por saca de 60 kg 26/10 Cepea/Esalq
Milho R$ 64,24 por saca de 60 kg 26/10 Cepea/Esalq
Soja em Chicago (novembro) US$ 12,376 por bushel 13h30 Reuters

Fonte: InfoMoney; Cepea/Esalq; Reuters. Elaboração: redação.

Quem compra paga mais

O câmbio pesa sobre o que vem de fora. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que o Brasil importou 86% dos fertilizantes consumidos em 2023. Na estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) para a safra 2026/27, o adubo chega a responder por 46,7% do custeio da soja em Mato Grosso.

O diesel também depende de compras externas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), citada pelo Times Brasil, o país importou cerca de 9,6 bilhões de litros entre janeiro e agosto de 2026. Esse combustível move os caminhões que levam a safra até o porto.

O crédito completa essa conta. O Plano Safra 2026/27, programa anual de crédito rural do governo, destina R$ 525,1 bilhões a médios e grandes produtores. A maior parte das linhas caiu de 14% para 12% ao ano, segundo a Economic News Brasil. Os juros futuros, que mostram a expectativa do mercado, também subiram com força no dia, segundo a InfoMoney.

O que diz a CNA: Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o diretor técnico Bruno Lucchi disse que “O ajuste nas contas públicas é importante para a retomada de investimentos e infraestrutura”, segundo a AgroNews, de 26/10. Não localizamos manifestação da entidade sobre o câmbio nesta data.

O que fica em aberto

O câmbio não age sozinho. Em Chicago, os contratos futuros de soja chegaram a cair mais de 2% nesta segunda, segundo a Reuters. O analista Jack Scoville, da The Price Futures Group, disse: “Certamente a eleição foi uma surpresa, e isso está ligado à desvalorização da moeda”.

A Suno Research projeta câmbio perto de R$ 5,40 em 2027. Seu economista-chefe, Gustavo Sung, disse à AgroNews: “Enxergamos volatilidade no câmbio, que deve ficar em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027.” Essa é uma projeção, não uma certeza.

O que isso significa

O dólar alto ajuda quem vende grão e recebe em dólar. O mesmo movimento encarece adubo, diesel e crédito para quem produz no interior. A conta do interior depende do preço do que se vende e do que se compra, não do índice da Bolsa.

Cotações mudam rapidamente, e o câmbio pode voltar a cair. Ativos podem perder valor, e pânicos de mercado podem se aprofundar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos a cotação do dólar da InfoMoney (26/10/2026, 17h05), os indicadores diários do Cepea/Esalq para soja e milho (consultados em 26/10/2026; a página não mostra horário de atualização), a Reuters e a AgroNews de 26/10/2026, além de Agência Gov, Agrolink, Times Brasil e Economic News Brasil, com as datas indicadas nas Fontes. Leituras de Chicago do mesmo dia ficaram entre US$ 12,39 e US$ 12,52, de contratos e horários diferentes. Nossas contas: a alta de cerca de 8% compara R$ 5,40 com o nível de cerca de R$ 5,00 de 5 de outubro; a participação de 86% divide 39,439 milhões de toneladas importadas por 45,826 milhões entregues em 2023. Não localizamos preços de frete, de diesel nas bombas ou de fertilizantes em reais para outubro, por isso não os calculamos.

Fontes