Civismo

Bancos divergem: exagero ou risco real na queda da Bolsa

Gavekal, Nomad, AW Capital, BTG, JPMorgan e Morgan Stanley divergem sobre a queda de 13,88% do Ibovespa: exagero ou risco fiscal.

Publicado em
Leitura
4 min de leitura
Fachada da Bolsa de Valores de São Paulo, com três portas de ferro em arco e as letras BOVESPA em dourado
Entrada da Bolsa de Valores de São Paulo, com o nome Bovespa nas portas.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88% e fechou aos 176.608 pontos. O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A queda veio um dia depois da reeleição de Lula.

Analistas e bancos reagiram no mesmo dia, e não há uma leitura única. Uns falam em exagero, outros dizem que a queda é justificada e outros avisam que ela pode piorar. A divisão gira em torno de duas questões: as contas do governo e a taxa de juros.

Antes da eleição, o índice estava perto de 205 mil pontos, segundo o InfoMoney. A Selic, a taxa básica de juros do país, está em 13,75% ao ano, segundo o Seu Dinheiro.

Quem vê exagero ou oportunidade

A Gavekal Research, segundo o InfoMoney, diz que a correção deveria ser vista como oportunidade de compra. Rohan Daswani, da Gavekal, cita juros reais altos e a forte exposição do país a commodities.

Guilherme Abbud, da Persevera Asset Management, afirma que quedas costumam ser amplificadas por pânico, segundo o InfoMoney. Cathy Hepworth, da PGIM, lembra que o mercado brasileiro costuma encontrar um ponto de estabilização depois de choques políticos.

Gabriel Magno, sócio da AW Capital, diz que a queda era esperada. Segundo o Seu Dinheiro, ele afirmou: “Era sabido que se Lula ganhasse, os mercados iriam corrigir.” A estrategista da Nomad, Rebecca Nossig, falou em “O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas”, segundo a CNN Brasil.

Quem vê risco que pode se aprofundar

O BTG Pactual, segundo o Money Times, vê o Ibovespa perto de 170 mil pontos. O banco também projeta que o real pode perder de 10% a 15% do valor frente ao dólar. Para o BTG, os juros reais de longo prazo podem voltar a passar de 8% ao ano, o que tornaria os cortes da Selic mais lentos.

O JPMorgan, segundo o InfoMoney, projeta queda de cerca de 20% nos próximos dias. O Morgan Stanley vê correção de 20% a 30%, caso os investidores exijam um prêmio maior para financiar a dívida pública. Prêmio, aqui, é a taxa extra cobrada para emprestar ao governo.

O Bradesco BBI, segundo o Seu Dinheiro, escreveu que espera “maior inclinação da curva de juros” depois do segundo turno. Curva de juros é a relação entre as taxas de prazos diferentes. Pelo banco, isso eleva o custo de capital das empresas mais sensíveis aos juros.

O que a divergência mostra

Os dois lados tratam as contas públicas e os juros como o ponto central. Quem vê exagero ou oportunidade afirma que o resultado já era esperado e que parte da queda veio do pânico. Quem alerta para piora diz que o risco fiscal e de juros pode ainda não estar totalmente refletido no preço.

Todas essas projeções foram publicadas no próprio dia 26, antes do fechamento do pregão. Nenhuma delas foi testada ainda pelos fatos.

O que diz o BTG Pactual: Segundo o Money Times, o banco vê o Ibovespa perto de 170 mil pontos e o real 10% a 15% mais fraco. Não localizamos o relatório original, e não entramos em contato com o banco antes da publicação.

O que fica em aberto

Segundo o Seu Dinheiro, o Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos marcados para 27 a 29 de outubro. Ficam em aberto o pregão de terça-feira (27) e as medidas que o próximo governo vai anunciar para a dívida. Segundo o InfoMoney, o BTG diz que só a indicação de uma equipe econômica vista como crível mudaria esse quadro.

Ativos podem perder valor, e pânicos de mercado podem se aprofundar. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

Como fizemos: Usamos reportagens de 26/10/2026 do InfoMoney (publicada às 14h32 e atualizada ao longo do dia), do Money Times (10h11), da Exame (10h18), do Seu Dinheiro (12h29, atualizada às 18h44) e da CNN Brasil (9h11, atualizada às 18h34), acessadas em 26 de outubro de 2026. Quando a reportagem não usa aspas, a posição é um resumo do jornalista. Não localizamos relatórios originais dos bancos nem a cobertura do Valor Econômico sobre o dia. Os valores de fechamento vêm das reportagens, sem dados oficiais da B3 para este texto.

Fontes