Memória

Oito anos após incêndio, Museu Nacional reabre salas e mira 2029

Paço de São Cristóvão recebe público em duas exposições temporárias, abertas até 25 de outubro; a reabertura completa do museu está prevista para 2029.

Ilustração abstrata em estilo de gravura, com rosácea de linhas douradas finas sobre fundo marrom
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Nesta quarta-feira (2), o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, completa oito anos. O fogo começou na noite de 2 de setembro de 2018, no Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista. A maior parte de um acervo de cerca de 20 milhões de itens se perdeu.

Oito anos depois, o palácio voltou a receber visitantes, ainda em obras. Desde 21 de junho, duas exposições gratuitas ocupam seis salas do prédio histórico. Segundo o Projeto Museu Nacional Vive, elas ficam abertas até 25 de outubro.

O que o público pode ver

“Bastidores da Ciência” mostra o trabalho de restauração, paleoarte, taxidermia e conservação de acervos. Entre os destaques estão instrumentos musicais feitos pelo luthier Davi Lopes com madeira resgatada dos escombros.

“Rescaldo das Memórias” é uma mostra individual do artista Vik Muniz. Ele criou fotografias e esculturas com cinzas e fragmentos recolhidos após o incêndio. A obra fica na sala onde o fogo começou, que ainda guarda vigas de aço retorcidas pelo calor.

As visitas vão de terça a domingo, das 10h às 16h. Os ingressos são gratuitos e distribuídos pela plataforma Sympla, com novos lotes às segundas-feiras, a partir das 13h.

O ritmo da reconstrução

A visitação só é possível porque as obras se concentram agora na parte de trás do palácio, segundo o Museu Nacional Vive. O projeto é uma cooperação entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Unesco e o Instituto Cultural Vale. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já destinou R$ 100 milhões à reconstrução.

A reabertura completa ainda vai demorar. Segundo reportagens do Diário do Rio, em abril, e da revista Exame, em junho, a previsão passou para 2029. A meta anunciada antes pelo governo federal era o primeiro semestre de 2026. Em junho, a Exame informou que a obra estava orçada em cerca de R$ 520 milhões, com cerca de R$ 170 milhões ainda por captar.

Em 2025, o museu já tinha aberto o palácio ao público pela primeira vez desde o incêndio. A exposição temporária “Entre Gigantes” ocupou três salas, segundo a Agência Brasil. A temporada atual dobrou esse espaço.

Desde abril, o museu tem nova direção. O biólogo Ronaldo Fernandes e a vice-diretora Juliana Manso Sayão tomaram posse para o mandato de 2026 a 2030, segundo a UFRJ.

O que diz o Museu Nacional: Na abertura das exposições, em junho, o diretor Ronaldo Fernandes afirmou, segundo a UFRJ: “O caminho é longo e complexo, mas tenho a convicção de que estamos no rumo certo. Em poucos anos poderemos devolver esta casa de forma permanente à sociedade.”

Criado por D. João VI em 6 de junho de 1818, o Museu Nacional é a instituição científica mais antiga do país. Enquanto a obra não termina, as exposições temporárias são a forma de reencontro com o público. Na data do incêndio, elas lembram o que se perdeu e mostram o que ainda falta para o museu reabrir de vez.

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  • Rio de Janeiro

Redação 7 de Setembro

Equipe de reportagem e edição

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